sexta-feira, 27 de maio de 2022

Flu faz 10 a 1 em goleada histórica no O.Petrolero, mas é eliminado da Sulamericana

 Fonte: UOL Esporte 26/05/2022

O Fluminense fez sua parte e aplicou a maior goleada da história da Copa Sul-Americana, na noite de hoje (26), ao massacrar o Oriente Petrolero, fora de casa, na vitória por 10 a 1. No entanto, o time foi eliminado ainda na fase de grupos do torneio devido à vitória do Unión Santa Fe sobre o Junior Barranquila. Diante da fragilidade do adversário, Matheus Martins abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Tanto ele como Cano anotaram três vezes na partida. Arias, Caio Paulista, Manoel e Willian anotaram os outros gols do Tricolor.Apesar de superar a goleada de 9 a 0 do Defensor sobre o Huancayo-PER, em 2010, o massacre do Fluminense pouco adiantou. A equipe tirou a diferença de seis gols de saldo, mas precisava do empate no outro jogo do Grupo H para avançar no torneio. No entanto, o Unión triunfou por 4 a 0..Além de ser a maior goleada da história da competição, o Flu também alcançou o seu placar mais elástico no século.Dois explosivos foram lançados ao campo na segunda etapa. O primeiro foi aos 9' e o segundo aos 31'. Nas duas ocasiões, o árbitro interrompeu a partida, conversou com o quarto árbitro e o delegado para que medidas fossem tomadas.Matheus Martins foi titular pela primeira fez do Fluminense e, logo de cara, marcou seus primeiros três gols como profissional, o primeiro com menos de um minuto de jogo. Muito ágil e habilidoso, o atacante mostrou que pode ser mais utilizado no restante da temporada.Diante de um adversário muito frágil, revidou uma falta no meio-campo com uma solada e foi, merecidamente, expulso. Sorte do Flu que o árbitro também mandou Jorge Rojas, que estava na confusão com o volante, para o chuveiro mais cedo.Mesmo encarando um adversário mais fraco, o técnico Fernando Diniz deve sair satisfeito com a atuação do Tricolor. Com Cris Silva atuando como um lateral mais avançado, o time se portou muito bem em campo e foi extremamO Fluminense fez sua parte e aplicou a maior goleada da história da Copa Sul-Americana, na noite de hoje (26), ao massacrar o Oriente Petrolero, fora de casa, na vitória por 10 a 1. No entanto, o time foi eliminado ainda na fase de grupos do torneio devido à vitória do Unión Santa Fe sobre o Junior Barranquila. Diante da fragilidade do adversário, Matheus Martins abriu o placar com menos de um minuto de jogo. Tanto ele como Cano anotaram três vezes na partida. Arias, Caio Paulista, Manoel e Willian anotaram os outros gols do Tricolor.Apesar de superar a goleada de 9 a 0 do Defensor sobre o Huancayo-PER, em 2010, o massacre do Fluminense pouco adiantou. A equipe tirou a diferença de seis gols de saldo, mas precisava do empate no outro jogo do Grupo H para avançar no torneio. No entanto, o Unión triunfou por 4 a 0..Além de ser a maior goleada da história da competição, o Flu também alcançou o seu placar mais elástico no século.Dois explosivos foram lançados ao campo na segunda etapa. O primeiro foi aos 9' e o segundo aos 31'. Nas duas ocasiões, o árbitro interrompeu a partida, conversou com o quarto árbitro e o delegado para que medidas fossem tomadas.Matheus Martins foi titular pela primeira fez do Fluminense e, logo de cara, marcou seus primeiros três gols como profissional, o primeiro com menos de um minuto de jogo. Muito ágil e habilidoso, o atacante mostrou que pode ser mais utilizado no restante da temporada.Diante de um adversário muito frágil, revidou uma falta no meio-campo com uma solada e foi, merecidamente, expulso. Sorte do Flu que o árbitro também mandou Jorge Rojas, que estava na confusão com o volante, para o chuveiro mais cedo.Mesmo encarando um adversário mais fraco, o técnico Fernando Diniz deve sair satisfeito com a atuação do Tricolor. Com Cris Silva atuando como um lateral mais avançado, o time se portou muito bem em campo e foi extremamente eficaz, conseguindo fazer a vantagem que necessitava. Arias recebeu sua primeira chance como titular com Diniz e aproveitou muito bem, assim como Caio Paulista, que balançou as redes pela primeira vez no ano. Matheus Martins, que fez sua estreia como titular, marcou um hat-trick e mostrou que pode ser muito útil no restante da temporada.O início da partida foi frenético: era finalizar e comemorar o gol. Com menos de um minuto de bola rolando, Matheus Martins marcou seu primeiro gol como profissional, aproveitando a bola enfiada por Arias. Aos 8, Arias deu nova assistência, desta vez para Cano, que teve só trabalho de mandar para a rede. Cano também anotou o terceiro, aos 12. Nonato cruzou da esquerda e o centroavante fez de cabeça. Também pelo alto, os bolivianos diminuíram aos 14. Ayrton Paz levantou da esquerda e Sebastián Álvarez aproveitou a indefinição de Fábio para descontar. Para completar a chuva de gols, Arias anotou o quarto do Flu aos 16. Luccas Claro cruzou pela direita, a zaga afastou errado e deixou a bola na medida para Arias bater forte e balançar a rede.O time da casa conseguiu ficar um pouco mais com a bola e esfriou o confronto. Contudo, Nonato iniciou uma confusão após sofrer falta de Jorge Rojas no meio-campo. Passado o tumulto, o árbitro Guillermo Guerrero expulsou os dois aos 29 minutos.Precisando de uma vantagem de seis gols, o Tricolor manteve a artilharia pesada e ampliou com Caio Paulista, aos 35, e Matheus Martins, aos 39. Willian carregou da esquerda e cruzou no gol de Caio, enquanto recebeu um belo lançamento no segundo e só escorou para Matheus marcar novamente. Entre os dois gols, Quiñónez ainda fez um milagre. Cano recebeu lançamento e bateu cara a cara com o goleiro, que deu rebote. O artilheiro finalizou novamente, contudo Quiñonez foi muito rápido e conseguiu desviar com o pé.Matheus Martins e Cano aproveitaram o começo do segundo tempo para marcar mais um gol, cada, e chegarem ao hat-trick. Aos oito, Martinelli passou para Matheus, que ainda tirou o marcador antes de marcar. Cano não quis ficar atrás do novato e também anotou seu terceiro gol aos 12 minutos. Willian fez a jogada pela esquerda e, na linha fundo, rolou para trás. Cano bateu e a bola ainda tocou caprichosamente na trave antes de entrar.O Fluminense chegou ao décimo gol ainda antes dos 30 minutos da etapa final. Aos 20, Manoel subiu mais alto após cobrança de escanteio e fez o nono. Aos 29, John Kennedy se enrolou ao driblar o goleiro e a bola ficou fácil para Willian deixar o placar com dois dígitos.O Fluminense tem pela frente um clássico no Brasileirão. Pela oitava rodada, o clube encara o Flamengo no domingo (29), às 18h, no Maracanã, com mando rubro-negro. No mesmo dia, mas às 20h30, o Petrolero recebe o Bolívar pelo jogo de ia das quartas de final do Campeonato Boliviano.

FICHA TÉCNICA: ORIENTE PETROLERO 1 x 10 FLUMINENSE Competição: Copa Sul-Americana - Sexta rodada do Grupo H Data: 26 de maio de 2022, quarta-feira Horário: 21h30 (de Brasília) Local: Ramón Tahuichi, em Santa Cruz de La Sierra (BOL) Árbitro: Guillermo Guerrero (EQU) Assistentes: Christian Lescano (EQU) e Ricardo Baren (EQU) Gols: Matheus Martins, aos 1'/1ºT, 39'/1ºT e 8'/2ºT, Cano 8/1ºT, 12'/1ºT e 12'/2ºT, Arias, aos 16'/1ºT, Caio Paulista, aos 35'/1ºT e Manoel, aos 20'/2ºT, Willian, aos 29'/2ºT para o Fluminense; Sebastián Álvarez, aos 16'/1ºT para o Oriente Petrolero. Cartões amarelos: Facundo Suaréz, Saucedo, Mercado, Salces (ORI); Willian, Luccas Claro, Cris Silva (FLU) Cartões vermelhos: Jorge Rojas (ORI) e Nonato (FLU)

ORIENTE PETROLERO: Quiñónez; Sandoval (Daniel Rojas), Álvarez, Zazpe e Paz; Rojas, Berdecio (Mercado), Sánchez e Freddy Roca (Facundo Suárez); Guaycochea e Saucedo. Técnico: Erwin Sánchez.

FLUMINENSE: Fábio, Caio Paulista, Luccas Claro (Calegari), Manoel e Cris Silva; Martinelli, Nonato e Arias (André); Matheus Martins (Luiz Henrique), Willian Bigode e Cano (John Kennedy). Técnico: Fernando Diniz

 


 https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/05/26/oriente-petrolero-x-fluminense-sexta-rodada-da-sul-americana.htm

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Fluminense tem aumento milionário de dívidas trabalhistas

 Fonte: NETFLU 25/052022 Por Paulo Brito 

Clube segue tendo diversos problemas judiciais

Desafio sem fim. Entra ano, sai ano, a diretoria do Fluminense  luta para manter a oxigenação financeira. E uma via importante para este cenário são os acordos jurídicos. Entretanto, mesmo com as tentativas em diversas instâncias, o clube aumentou sua dívida trabalhista entre 2020 e 2021.NETFLU apurou que os valores saltaram de R$ 31 milhões para R$ 37 milhões entre um ano e outro. E a expectativa é que haja novo aumento em 2022. Muitos funcionários ainda lutam por seus direitos trabalhistas na Justiça, desde a simples rescisão até depósitos de FGTS que não foram feitos.Paralelo a isto, é importante lembrar que o Fluminense divulgou no mês passado que quitou a primeira parcela do plano de pagamento aos credores junto ao Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) e ao Tribunal Regional do Trabalho (TRT1). O valor de R$ 1,5 milhão foi depositado em juízo e será repassado pela Justiça de acordo com a ordem de pagamento estabelecida na fila dos credores do plano. Desse modo, todos os processos em fase de execução seguem suspensos.Em outras palavras, Do montante, R$ 1,2 milhão será destinado ao pagamento de dívidas trabalhistas, enquanto os demais R$ 300 mil serão repassados para as dívidas cíveis. O plano dá sustentação ao Regime Centralizado de Execuções (RCE), que tem como base a Lei n. 14.193, de 6 de agosto de 2021.


https://www.netflu.com.br/fluminense-tem-aumento-milionario-de-dividas-trabalhistas/

terça-feira, 24 de maio de 2022

Mario Bittencourt abre o jogo e revela valores que Fluminense e Flamengo recebem de Pay-Per-View

 Fonte: O DIA 22/05/2022

Presidente do Tricolor reclamou da divisão das receitas entre os clube

Rio - Durante um evento para torcedores do Fluminense em Fortaleza, o presidente do clube, Mario Bittencourt, falou sobre a LIBRA e a divisão das receitas entre os clubes, além de revelar quanto o Fluminense e o Flamengo ganharam com Pay-Per-View no ano passado.

"O Fluminense faz parte de um grupo que defende um rateio melhor das cotas de televisão e das cotas futuras de uma liga. Cuidado porque boa parte da opinião pública tenta confundir a cabeça dos torcedores dizendo que colocando pra 50-25-25 está resolvido o problema. E não está. Os clubes de maior poderio financeiro estão propondo uma liga que no longo prazo o distanciamento só vai aumentar. A retórica é a seguinte: “Ué, mas todo mundo vai ganhar mais dinheiro”. Mas o que tenho respondido é que se a diferença continuar a de hoje não vai adiantar nada. Se eu ganhava 300 e vou para 600 e quem ganhava 1 bilhão vai para 2 bilhões não vai adiantar nada. Porque os meus custos para fazer futebol são os mesmos dos clubes que faturam 1 bilhão. Eu pago o mesmo preço de avião, taxa de arbitragem, taxas da federação. Tem clubes que ganham no Pay-Per-View 880 vezes mais do que o último colocado do campeonato. No Pay-Per-View de 2021, o Fluminense recebeu R$ 15 milhões e o nosso arquirrival (Flamengo) R$ 162 milhões. É muito importante que vocês (torcedores) nos ajudem, nas redes, no discurso. Isso que eu estou falando é muito importante, porque é o futuro do Fluminense", disse Mario Bittencourt, antes de completar:

"Se eu estivesse olhando única e simplesmente para esse momento, a melhor coisa do mundo é assinar rapidamente a liga, porque daqui a dois anos pode ter um investidor que colocará um caminhão de dinheiro à vista. Mas daqui a 10 ano vocês vão se questionar porque eu aceitei assinar algo que só manteve a distância pelo resto da vida. É um assunto que parece chato, mas fundamental para o seguimento da instituição. O projeto deles lá é levar em conta a performance dos últimos cinco anos para virar uma média garantida, o que é uma baita injustiça. Porque quem tem as melhores performances são os clubes que tem mais dinheiro. Só três clubes no Brasil possuem mínimo garantido de mais de R$ 100 milhões no payperview. Então quando se aplicar a taxa de inflação e o longo prazo, esses clubes continuariam ganhando muito mais dinheiro que os outros. No nosso critério comercial, engajamento, não tenhamos o mínimo garantido para não ficarmos defasados.", comentou o presidente do Tricolor.Mario Bittencourt ainda aproveitou para falar sobre as diferenças da Adidas quando patrocinava o Fluminense, e nos dias atuais, com o Flamengo, além de comparar os números de sócios e venda de ingressos entre os clubes.

"A Adidas patrocinou o Fluminense por 20 anos. Está no nosso arquirrival há 10 anos. Conversando com o diretor comercial da Adidas outro dia, perguntei quantas camisas nosso rival vende mais do que a gente. E ele me falou que é 4 para 1 e não 10 para 1. Eles não vendem 10 vezes mais do que payperview, não compram 10 vezes mais ingressos, não tem 10 vezes mais sócios. É a diferença de sócio-torcedor e simpatizante.", disse.



 https://odia.ig.com.br/esporte/fluminense/2022/05/6406607-mario-bittencourt-abre-o-jogo-e-revela-valores-que-fluminense-e-flamengo-recebem-de-pay-per-view.html

............................................................................................................................................

PPV em 2020 tem Flamengo líder absoluto, trio paulista em seguida e Grêmio em quinto

Fonter: Yahoo Esportes Por Jorge Nicola 10/04/2020

Em 2020, pela primeira vez na história, o pagamento do pay-per-view referente ao Campeonato Brasileiro será baseado em um cadastro feito por torcedores no Premiere - as únicas exceções são Flamengo e Corinthians, que mantiveram um “mínimo garantido” junto à Globo. Ainda assim, o time carioca e o paulista aparecem nas duas primeiras posições do ranking, segundo apuração do Blog.A partir da terceira colocação do ranking, não há mais mínimo garantido. Ou seja, os clubes vão ficar com um percentual de acordo com o número de assinantes do Premiere cadastrados entre maio e novembro do ano passado. No ano passado, a quantia distribuída ficou próxima de R$ 500 milhões. A deste ano é uma incógnita, por conta da indefinição em relação a datas e ao modelo.

O terceiro lugar no ranking de assinantes não é mais do São Paulo, como nos últimos anos. O Tricolor caiu para a quarta posição, sendo ultrapassado pelo Palmeiras, possivelmente embalado pelo bom momento do time nas últimas edições do Campeonato Brasileiro - o Verdão foi campeão em dois dos últimos quatro anos. Importante: a diferença entre o Trio de Ferro paulista em termos de inscritos no Premiere hoje é pequena.

Também é importante ressaltar que o Palmeiras já ganhou mais do que o São Paulo no pay-per-view do ano passado, mas essa grana extra teve a ver com a negociação dura com a Globo - o Tricolor contava com mais assinantes, porém o Verdão havia assegurado um valor mínimo garantido de R$ 80 milhões, que lhe valeu mais dinheiro na comparação com o rival.

Na quinta colocação, outra novidade: o Vasco, que só perde para os quatro clubes já citados em qualquer pesquisa de popularidade no país, acabou superado pelo Grêmio. A consistência do time de Renato Gaúcho nas competições mais importantes dos últimos anos e uma campanha forte de estímulo para que os gremistas aderissem ao PPV e se cadastrassem ajudam a explicar a posição obtida no ranking em relação a 2019.

A partir da sexta colocação, há enorme equilíbrio. Vasco, Atlético-MG e Inter aparecem com números bem semelhantes. O Cruzeiro também figuraria nessa parte da lista se não tivesse sido rebaixado para a Série B - a queda, inclusive, vai permitir à Raposa escolher entre apostar na receita do PPV durante a Segundona ou aceitar a mesma cota dos outros 19 integrantes da segunda divisão, que gira na casa dos R$ 8 milhões.

Na sequência, aparecem Santos, Fluminense e Botafogo. Em outra prateleira, com percentuais menores, surgem Bahia, Goiás, Fortaleza e Ceará, não necessariamente nesta ordem. Os clubes que subiram para a primeira divisão em 2019 ainda discutem com a Globo como será pago o pay-per-view.

Valendo para 2021: Há tempos que os clubes batalham nos bastidores por uma divisão meritocrata das cotas do pay-per-view. Até 2018, a receita era dividida de acordo com pesquisas do Ibope. Em 2019, baseou-se em uma pesquisa com compradores do pay-per-view.

Para 2020, passa a valer o resultado do cadastro feito com torcedores que são assinantes do pay-per-view. Tal procedimento foi válido entre maio e novembro do ano passado. E o raciocínio valerá também para 2021, com a amostragem coletada de maio a novembro desta temporada. Ou seja, quanto maior engajamento, maior rentabilidade para os times.

Também é importante destacar que esse novo modelo coloca os clubes em risco. Se, por exemplo, a pandemia do Coronavírus impactar nas vendas de pacotes do pay-per-view, a receita final do produto será menor e, por consequência, o bolo dividido também ficará menor.

Para facilitar a compreensão, vale um exemplo fictício: digamos que o São Paulo tenha registrado 9% dos assinantes do PPV cadastrados em 2019. Isso significa que ele embolsará 9% do total arrecadado com o Premiere, já descontando os lucros da operação para a Globo.

Mata-mata é tiro no pé? Alguns dirigentes de clubes da Série A têm defendido recentemente a volta do sistema de mata-mata. Assim, o Brasileirão teria um turno único e os oito primeiros passariam a jogar em caráter eliminatório. A consequência, olhando do ponto de vista do pay-per-view, pode ser desastrosa, levando em conta que as equipes entrarão em campo muito menos.

Ficará difícil manter os assinantes de um time eliminado na primeira fase, com apenas 19 jogos. No campeonato de pontos corridos, cada um dos integrantes da Série A disputa 38 rodadas. Essa segurança de ver seu clube tantas vezes costuma ser um atrativo para torcedores que pensam em entrar para o Premiere.

 https://esportes.yahoo.com/noticias/ppv-em-2020-tem-flamengo-lider-absoluto-trio-paulista-em-seguida-e-gremio-em-quinto-112035677.html

........................................................................................................................................... . 

Jornalista revela valores arrecadados pelos grandes clubes com a venda do pay-per-view do Campeonato Carioca 2021

Fluminense vendeu 12 mil pacotes

Fonte: explosão tricolor 

Nesta sexta-feira(28/05/2021), o jornalista Gustavo Garcia, do portal ge, revelou os valores arrecadados pelos grandes clubes com o pay-per-view do Campeonato Carioca (operado pelos próprios clubes). O Fluminense vendeu 12 mil pacotes e arrecadou R$ 1,4 milhão. Com os descontos, o Tricolor recebeu R$ 1 milhão. Vale lembrar que a Globo pagava R$ 18 milhões para cada grande clube.

Veja como ficou o ranking:

Flamengo – 65 mil pacotes vendidos – R$ 7,2 milhões (R$ 5 milhões líquidos)

Vasco da Gama – 15 mil pacotes vendidos – R$ 1,8 milhão (R$ 1,3 milhão líquido)

Fluminense – 12 mil pacotes vendidos – R$ 1,4 milhão (R$ 1 milhão líquidos)

Botafogo – 11 pacotes vendidos – R$ 1,3 milhão (R$ 900 mil líquido)

Fluminense, Botafogo e Vasco fizeram contrato com a TVN Sports para transmitir seus jogos – que recebe um percentual variável do faturado. Já o Flamengo deixou a sua operação nas mãos da Brado Media.

https://explosaotricolor.com.br/jornalista-revela-valores-arrecadados-pelos-grandes-clubes-com-a-venda-do-pay-per-view-do-campeonato-carioca/




segunda-feira, 23 de maio de 2022

PRESIDENTE DO FLUMINENSE FALA AOS TORCEDORES EM RESTAURANTE EM FORTALEZA EM EVENTO TRICOLOR POR TODA TERRA

Fonte: video Live Vilella Viajante Tricolor

 Em Live “Vilella Viajante Tricolor”, realizada no dia 22 de Maio na churrascaria Fogo Campeiro situada na avenida Whashington Soares 4718, Fortaleza Ceará, no dia do jogo do Fluminense contra o Fortaleza no estádio do Castelão, partida esta vencida pelo tricolor carioca pelo placar de 0x1. Reuniram-se as caravanas do “Tricolor por toda Terra ” em que esteve presente o presidente do clube, Mário Bittencourt.

Uma confraternização do torcedor tricolor, antes de mais nada mas que poderia ter até virado uma praça de guerra caso os opositores do presidente tivessem comparecido em massa e lhe pressionassem a responder todos os questionamentos.

Vilella, que vem desempenhando um excelente trabalho nas mídias sociais, neste evento especificamente, de maneira extremamente profissional e correta, destacou que naquele momento era o “encontro da gestão” e que ele não estava lá para “babar ovo” do presidente ou de qualquer um que seja e manteve-se imparcial e disse que não deixaria de prestigiar um evento do Fluminense, independentemente de suas opiniões contrárias ao presidente ou à sua gestão e que as suas idéias  continuariam a ser as mesmas e que as criticas de que o evento possa ter sido eleitoreiro, afirmou que ninguém é bobo, ninguém é otário e as pessoas podem analisar o que foi feito e que ele Vilella quiz mostrar um momento como este que ele(Mário) iria explanar sobre os temas. Inclusive foi o Vilella que deu uma “cutucada” no Pablo para que o mesmo questionasse o presidente sobre o voto online mas que isso deveria partir deles(gestão atual). Disse que o evento iria ocorrer de qualquer maneira mas que não seria, num primeiro momento, um evento deste porte pois virou um evento oficial do Fluminense que acabou sendo organizado pelo Fluminense e que para o torcedor que mora fora do Rio  é importante e que as pessoas não poderiam misturar o fato de não gostar do presidente com deixar o torcedor de Fortaleza desamparado. Foi uma ação bacana do Flu, ressantou. Que é um momento importante para o presidente vir falar com o torcedor e falou também do constrangimento do presidente para com a sua presença  bem a sua frente. 

PRESIDENTE MÁRIO BITENCOURT DISCURSA SOBRE VOTO ON LINE, SAF E CRITICA CRITÉRIOS INJUSTOS DE  PAY PER VIEW

O presidente Mário Bitencourt se apresentou, declarou que havia prometido “não politizar a gestão”. Exaltou o “Tricolor por toda Terra quando surgiu, em 2011, no Uruguai e qua a grande ideia é de que o Fluminense tivesse embaixadas do “Tricolor por toda Terra” em todos os lugares que tivessem torcedores. Apesar delas existirem, o Fluminense poderia contribuir vestindo as embaixadas com a roupa do Fluminense. para que o clube pudesse dar um suporte técnico, etc. Mário também revelou um plano especial para os torcedores de fora do Rio com desconto inclusive. Aplausos. Falou do problema do cartão de crédito e do sistema do clube que não reconhecia quando o torcedor deixava de ser sócio automaticamente, então a demora na solução deste problema foi justificada pela necessidade deles terem que contratar uma empresa “vejam como foi importante, mesmo sem um aumento no quantitativo de sócios, a gente conseguiu recuperar 700 mil reais por mês de pessoas que tinham deixado de ser sócias do clube e nem tinham percebido, então o aumento de faturamento só na mudança de sistema já foi enorme. Precisávamos que o software suportasse uma grande adesão, então agora a gente tem um grande trabalho técnico e vamos ter muito menos problema do que a gente teria se a gente lançasse os sócios com o aplicativo anterior. Em seguida ele deu uma placa ao grupo do “Tricolor por toda Terra” de Fortaleza ali presente.

O presidente chamou o Sr Mateus, vice presidente de negócios institucionais e reconheceu que, embora fosse uma festa, deveria falar de assuntos pertinentes ao clube.Sobre a Liga de clubes. O presidente revelou que tem um contrato para estudos com a BTG Pactual que incluiriam a possibilidade futura ou não de se virar uma SAF(sociedade anônima de futebol) mas que eles estudam com cautela e que o vice Mateus é advogado da área tributária. Mário disse que as pessoas não poderiam confundir “promessa” com “projeto”, que eles apresentaram um “plano de gestão” e que eles tinham uma série de projetos a serem implementados e que, até hoje já foram ou teriam sido implementados cerca de 60 a 65% do que haviam se programado a fazer nestes três anos de mandato, que isso deveria ficar muito claro e que obviamente eles não conseguiriam realizar absolutamente tudo que se propuseram a fazer em apenas três anos, ainda mais com 2 anos de paralisação(Covid 19)..

Em relação ao voto à distancia(on line), ele declarou que tinham e têm interesse e que não seria somente com a finalidade de eleição mas para toda e qualquer decisão. Sobre implementar do ponto de vista técnico, Disse que existe um estudo da implementação e que são duas questões importantes. A primeira a questão estatutária e a segunda a questão de segurança. Em relação à segurança, ele afirmou que ficou comprovado que nas eleições do Sport Club Internacional de Porto Alegre votaram muito robôs em sequência no mesmo candidato em sequência e que a perícia conseguia diagnosticar estes robôs mas não conseguiam diagnosticar para quem estes votos foram, se situação ou oposição e que tais decisões não seria de sua alçada e sim dos poderes do clube. Reiterou que o voto on line seria um desejo deles e que logo que o estudo fosse feito eles veriam a viabilidade de usar naquelas eleições do final do ano e que nas próximas seria certo que seria on line e não somente para sócios de fora do estado e sim para todos. O presidente reiterou que ele se orgulha, além de ser torcedor do Fluminense, se orgulha de dizer que os pleitos eleitorais no clube são realizados a mais de quinze anos, transcorre com imensa lisura, tanto que o Fluminense FC é , segundo ele, um dos poucos clubes no Brasil que nunca teve suas eleições judicializadas, o que seria um desastre para a instituição. Mencionou a derrota que ele teve em 2016 para Pedro Abad e que foi à época dito a ele que o mesmo deveria entrar na justiça contra as eleições mas que se recusou pois prejudicaria a instituição e declarou que o Ministério Público coordena as eleições do Fluminense desde 2010 e que isto está no estatuto do clube.Que as urnas do clube são eletrônicas desde 2010. Que o Conselho será consultado a respeito do voto on line.Perguntado, respondeu que os sócios hoje aptos a votar devem estar entre 14 mil e 18 mil.

A CRIAÇÃO DA LIGA-CRITÉRIO COMERCIAL E CRITÉRIO DE ENGAJAMENTO

Sobre a liga ele disse “Cuidado porque grande parte da opinião pública quer confundir a cabeça dos torcedores dizendo se mudar 50 25 25 não tem problema.. o grande problema é que os clubes com maior poderio financeiro que a longo prazo o distanciamento só tende a aumentar . A retórica é a seguinte, ué, mas todo mundo vai ganhar mais dinheiro e a minha resposta é, sim mas se a diferença continuar assim , não adianta nada, se eu ganho 300 vou ganhar 600, o outro ganha 1 milhão vai pra 2 milhões não vai adiantar nada porque os custos para fazer futebol são os mesmos pra nós e pra eles, eu pago a mesma taxa de arbitragem, pago as mesmas taxas para a Federação, e para vcs terem uma idéia, hoje esxitem clubes que ganhar no pay per view 880 vezes mais que o último colocado. O pay per view de 2021 o Fluminense recebeu 15 milhões de reais e o nosso arquirival recebu 162 milhões, então o que estou falando é muito importante para o futuro do Fluminense. Se eu estivesse olhando única e exclusivamente para este momento agora, a melhor coisa do mundo seria assinar rapidamente concordando com a Liga mas na década seguinte vcs vão ficar me questionando por que eu aceitei assinar uma coisa que mantém este distanciamento. A nossa maior briga é 1-que é o projeto deles do lado de lá, que a performance dos últimos cinco anos entra na conta para ficar uma performance garantida, o que é uma baita injustiça porque tem tem a melhor média de performance é quem melhor chegou colocado no campeonato brasileiro. A segunda idéia deles é que no critério comercial, no engajamento, essa média seja também mantida. O que tem hoje nos últimos cinco anos só que hoje somente três clubes no Brasil mantém minimo mais de cem milhões no pay per view, então quando vc aplica a taxa de inflação esse clube vão ficando com mais dinheiro que os outros. Nossa briga é que nos critérios comercial e engajamento a gente não tenha o mínimo exigido hoje que o Fluminense não fique defasado, juntamente com os clubes do lado de cá e por fim a gente luta por critério de engajamento mais sólidos porque eles defendem, por exemplo, rede social, número de seguidores, aonde se compra robô por exemplo, então engajamento de rede social não significa engajamento de torcida..”. O exemplo da Chapecoense foi dito pelo presidente . Seguindo, disse que esse critério de engajamento não é justo pois o Fluminense tem uma média de 23 mil torcedores por jogo juntamente com o número de sócios torcedores que o Flu tem .. Disse que a Liga ainda não existe, eles assinaram e o que existe é uma associação e para ser uma liga teria que pelo menos 40 assinarem. Outra briga é que se fala muito em tamanho de torcida no Brasil e é o que baliza pesquisa de pay per view no Brasil hoje. Uma pesquisa do IBOPE que não avalia a força comercial do torcedor. Adidas fez a camisa do Flu por 20 anos e está no nosso rival há dez anos, Eu conversando com o diretor comercial da Adidas outro dia , perguntei a ele quantas camisa o nosso rival vende mais que a gente? Ele disse é 4 para um e não é 3 não . Eles não vendem 10 vezes mais de pay per view, eles não compram 10 vezes mais ingresso, não tem 10 vezes mais sócios que é o que eu digo que é a diferença de sócio torcedor e sócio simpatizante, talvez eles tenham muito ais simpatizantes do que nós A nossa briga lá é para que o Fluminense seja respeitado pelo que ele realmente vende.

Mário afirmou que se no futuro houver uma Lig, os clubes poderão ser vendidos por um valor muito maior do que é hoje, ou seja, que se vender o Fluminense a uma SAF hoje, o valor estará subvalorizado ..

 

MENSAGENS NO CHAT DO VILELLA VIAJANTE TRICOLOR

 

 Dentre várias mensagens do CHAT do Vilella podemos destacar algumas abaixo que poderão ser vistos no video  https://www.youtube.com/watch?v=Q9PoG8JTJ88 


Milhares de Tricolores espalhados pelo Nordeste do Brasil.

​#FORAMÁRIO PAI DA MENTIRA

Espero que apareça um candidato a altura do Fluminense pois no Mário não voto mais . Transparência zero e muita coisa prometeu em campanha não fez.

FLU PRECISA DE VOTO ON LINE E LARANJEIRAS.. MAS PERGUNTO: ONDE ESTÃO OS TRICOLORES DO RIO.. VAO VOTAR SE NAO TIVER VOTO ON LINE? E LARANJEIRAS.. CADE O PUBLICO NO MARACA PRA DAR GRANA AO FLU?


VOTO ON-LINE PERGUTEM A ELE, FOI PROMESSA DE CAMPANHA!!!!

CADE O VOTO ON LINE PAVAO??????

CADE O TRICOLOR EM TODA TERRA NO ESPIRITO SANTO??????


ninguém no evento vai cobrar do voto online ?

Politiqueiro

 TRICOLOR EM TODA TERRA” É MUUUITO TRICOLOR, E MERECE VOTAR

BOTA A CARA, NORDESTE FLU. COBREM O VOTO ON LINE DESSE CARA. A HORA É AGORA!!!

 Bizarra as vendas dos nossos craques de Xerém, isso qd os perdemos sem ganhar nada …Mario vc não me engana mais .

TUDO COMPRADO IGUAL A YOUNG FLU QUE NUNCA PROTESTA

DE VOZ AO VILELLA QUE É O EMBAIXADOR DA NORDESTE FLU. PRESIDENTE!!!

 Falastrão, só mais um de todos os outros q o sucederam

 . ATÉ Q ENFIM FALARAM DO VOTO ONLINE. AEEEEEE

 MANDOU BEM PABLO

Ta vendo os caras cobraram .. parem de falar merda

 QUERO VER O Q O PAVÃO VAI FALAR

KKKKKKKKKKKJ DEIXOU O PAVÃO PUTO

FORA PESSIMISTAS!!!!

 TÔ CAGANDO PRA QUEM É ESSE MATHEUS. PARA DE ENROLAR E FALA DO VOTO ON LINE. COBREM DELE, NORDESTE FLU!

 ESTUDO DE SAF KKKKKKKKKKKKKKKKK

 DESEJO NOSSO? HAIUAHIUAHAIUHAIUAHAIUH

 PROMETEU QUE IA FAZER O VOTO ONLINE

FAÇA ELE PROMETER O VOTO ON-LINE PESSOAL.

 ROLANDO LERO, SAMBARILOVE, PINÓQUIO, SÓ QUER APARECER, GLAMOUR, HOLOFOTES, FAMA, STATUS E MÍDIA

 Ta aí, o Mário no segundo mandato vai implementar a SAF! Senão por que ele iria contratar um estudo sobre isso?

ZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZZ

Oposição contra Mário é super válido. Oposição ao Fluminense é coisa de traidor.

UI DENTRO DO FLUMINENSE COM ELE LA E NAO SE ATREVEU A SEQUER A VIR FALAR COMIGO QUANDO FUI NA COMUNICAÇÃO DO CLUBE. BATO NA PORTA DELE.
O ESTATUTO PERMITE VOTO ONLINE

Se houver falha de segurança a votação é anulada, simples.

Em nenhum clube grande tem essa papagaiada de voto on line, e voto pra sócio que paga 35 reais, aqui no Fluminense fica um bando de desinformado querendo coisas sem fundamento que dará certo.

Ele sempre foi conTra a SAF agora é a favor .Daí é eleito e não faz nada que prometeu de novo … Torcedor não é burro!

O conselho deliberativo é todo do grupo dele. Como é que não depende só dele?? Hahaha.

Goytacaz de Campos fez eleição com voto online só o Fluminense não quer

ESSE TORCEDORES AI PRESENTES ESTÃO SATISFEITOS COM A ELIMINAÇÃO NA FASE DE GRUPOS DA SULA ???????

 ISSO É UM EVENTO, NÃO É ENTREVISTA..PABLO FEZ CERTO, PERGUNTOU E QUESTIONOU , PARABENS!!!

 PABLO FOI O ÚNICO QUE BOTOU A CARA. UMA ANDORINHA SÓ NÃO FAZ VERÃO!

 PEDRO ANTÔNIO PRESIDENTE EM NOVEMBRO 2022

ENROLANDO COMO SEMPRE

 Mário faz auditoria e mostra as contas

ALGUÉM PERGUNTE AO PRESIDENTE PORQUE ELE VENDE OS ATLETAS DE XERÉM POR APENAS DUAS MARIOLAS ? O MAIOR EXEMPLO FOI O LUIZ HENRIQUE.

 Só a SAF pode fazer do Fluminense um time profissional, sem falcatruas, negociatas, picaretagem, com boa gestão. Se continuar com esse tipo de direção vamos para o buraco de forma irreversível.

Mario é o melhor Presidente dos últimos anos do Fluminense, aceitem que dói menos

 

 Fonte: link abaixo no YouTube  

https://www.youtube.com/watch?v=Q9PoG8JTJ88

 


                                              Alexandre Vilella  do canal Viajante Tricolor
Vilella viaja junto com o time do Fluminense, acompanhando em todos os jogos. 

O blog 
também recomenda seguir este canal no Instagram e no Twitter 

https://www.instagram.com/vilella_viajante_tricolor_/

https://twitter.com/vilellat 

sábado, 21 de maio de 2022

SAF: Presidente Mário é contra. Fluminense está ficando para trás em relação a os rivais?

 

Como a investida do Vasco na direção da SAF afeta o Fluminense

Fonte: explosão tricolor 26/02/2022 

Está cada vez mais difícil para o Fluminense se manter indiferente às movimentações sobre sociedade anônima de futebol no Brasil. Primeiro foi o Botafogo. Agora é o Vasco, adversário no clássico deste sábado, às 17h, no Nilton Santos, que tenta migrar para o modelo, de olho em uma robusta maleta de dinheiro que tanto cairia bem nas Laranjeiras.

Neste momento, o presidente Mário Bittencourt não tem a intenção de criar a SAF. Ele não é dos maiores adeptos ao formato, mas não se nega a sentar, pensar e debater sobre o assunto. O anúncio da minuta de entendimento entre Vasco e 777 Partners, com valores e condições, à primeira vista, mais vantajosos do que os obtidos por Cruzeiro e Botafogo, fez com que Bittencourt procurasse outros detalhes a respeito do negócio que o cruz-maltino tenta fazer.



O entendimento do presidente é que o Fluminense só fará um movimento em direção favorável quando entender totalmente as mudanças jurídicas, comerciais e, principalmente, as consequências da decisão. Não irá mergulhar em um cenário que ainda é cinzento. Mas caso o clube precise mudar o estatuto para comportar a entrada da SAF, a princípio isso não geraria uma guerra nos bastidores.

O aspecto político da pauta nas Laranjeiras tende a ser outro. É ano eleitoral no Fluminense e há a preocupação de que o tema seja usado como propaganda pelos futuros candidatos. Mário deve tentar a reeleição.Por outro lado, é impossível dizer que o assunto já não é debatido nos corredores das Laranjeiras. No Conselho Deliberativo e em alas políticas, há quem tema ver o Fluminense “ficando para trás” no assunto. Principalmente porque Vasco e Botafogo, em estágios diferentes, já planejam receber injeções de investimento a curto e médio prazo. Ficar para trás dos dois rivais em termos financeiros, além do Flamengo, é algo impensável para os tricolores.

Em São Januário, a aprovação folgada do empréstimo de R$ 70 milhões da 777 Partners, que poderá ser convertido em antecipação dos R$ 700 milhões que o grupo americano promete investir no futebol vascaíno nos próximos três anos, gerou um cenário de confiança para a diretoria seguir com os trâmites para a criação e venda da SAF.

No cronograma formulado, o processo deve estar finalizado em setembro. A curto prazo, a preocupação é receber o quanto antes a quantia da 777 Partners. Por causa do feriado de carnaval, a expectativa do clube é que o valor caia na conta na terça-feira. Com ele, deverá quitar salários atrasados, pendências com fornecedores e parcelas abertas de dívidas.

No aguardo da proposta vinculante do grupo americano, que efetivamente marcará o recebimento de uma oferta pelo futebol, a diretoria agora vai viver uma maratona política para tornar o negócio da transferência de 70% das ações da SAF possível.

A ideia no Vasco é criar duas rodadas de votações, tanto no Conselho Deliberativo, quanto na Assembleia Geral. A primeira, para deliberar e votar sobre a alteração do estatuto do clube, que permita a criação de uma Sociedade Anônima de Futebol. Depois, o Vasco deve realizar novos pleitos, entre conselheiros e associados, para aprovar ou não a venda dessa SAF para a 777 Partners, especificamente.

https://explosaotricolor.com.br/como-a-investida-do-vasco-na-direcao-da-saf-afeta-o-fluminense/

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Novo modelo de clubes de futebol, SAF começa a se tornar realidade



 Fonte: Agência Senado 

Nelson Oliveira
Publicado em 22/1/2022

O detalhe mais surpreendente na chegada do investidor norte-americano John Textor ao Rio de Janeiro, no dia 7, foi o presente que um modesto torcedor do Botafogo tentou lhe entregar no Aeroporto Santos Dumont: uma nota de R$ 20. Empresário do ramo das mídias digitais e do futebol, com fortuna avaliada em 191 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão), o possível novo “dono” da equipe carioca gentilmente recusou a oferta do jovem Thales Maia. Afinal, estima-se que esteja disposto a injetar cerca de R$ 400 milhões no Botafogo por meio do fundo Eagle Holding, do qual detém o controle, depois de comprar 18% das ações do inglês Crystal Palace, 12º colocado na Premier League.

A assimetria entre Textor e Maia, tanto em termos patrimoniais quanto na abordagem sobre financiamento a um time, ajuda a avaliar a distância que guarda o futebol brasileiro dos arranjos societários e dos modelos de gestão em vigor na Europa, especialmente, e em alguns países da América Latina, como Chile e México.

Em seu desembarque no Brasil, John Textor, porém, tinha mais do que o entusiasmo da torcida alvinegra. Contava com o terreno firme de uma lei aprovada pelo Congresso em junho e sancionada em agosto pelo presidente Jair Bolsonaro. Oriunda do Projeto de Lei (PL) 5516/2019 , do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, a Lei 14193/2021 autoriza os clubes a se organizarem sob a forma de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), o primeiro passo do Brasil para se aproximar das variantes de clube-empresa mundo afora.

Desde 1933, quando iniciou-se de fato o profissionalismo no futebol brasileiro, os clubes são predominantemente associações sem fins lucrativos, pelo menos do ponto de vista formal, o que leva a uma natural fragmentação do comando, visto que há conselhos e assembleias a serem consultados — ou no mínimo, a serem levados em consideração. O conflito entre o caráter associativo, que implica desprendimento, e o acirramento da competição, principalmente por dinheiro, no mundo da bola coloca em pauta dilema semelhante ao que havia nos tempos da transição entre o futebol amador e o profissional: amor à camisa ou realismo econômico.

De acordo com a pesquisadora Marina Oliveira de Almeida, graduada em história pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), naquela fase, os limites insustentáveis do jogo pelo jogo, pelo deleite, eram rompidos por meio do “amadorismo marrom”, o costume de se pagar salários por fora ou manter os amadores em empregos de fachada. “O dinheiro corromperia o esporte. A palavra amador significa, inclusive, aquele que ama, nesse caso aquele que ama o esporte, e não o faz para ganhar dinheiro. A prevalência do amor, entretanto, também tinha seu preço: buscas eram empreendidas “para confirmar que os jogadores possuíam outra profissão e recebiam por essa profissão. Caso não fosse confirmado como profissional de outra área, o jogador era retirado do campeonato”, escreve a integrante do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol (Gief) em artigo para o site Ludopédio.

Conforme o professor de história da Unifesp Fabio Franzini, mencionado no artigo de Marina, “cada vez mais, a necessidade de vitórias era questão de sobrevivência para os clubes, que se pegavam obrigados a atrair os melhores jogadores para seus quadros[…]. Isso não apenas implicou o estremecimento de barreiras econômicas, sociais e raciais que definiam um 'perfil ideal' para os atletas, como disseminou por praticamente todos os clubes atitudes como a oferta de dinheiro e outras vantagens para aqueles que viessem a vestir sua camisa. A suposta essência do esporte, o amadorismo, era solapada pela realidade”.

Fonte: Agência Senado

O investidor John Textor e o torcedor Thales Maia: assimetria gigantesca revela fragilidades na gestão do futebol brasileiro (fotos: Vitor Silva/Botafogo e Arquivo Pessoal)

“Para transformar a realidade do futebol no Brasil, afigura-se necessário oferecer aos clubes uma via societária que legitime a criação desse novo sistema, formador de um também novo ambiente, no qual as organizações que atuem na atividade futebolística, de um lado, inspirem maior confiança, credibilidade e segurança, a fim de melhorar sua posição no mercado e seu relacionamento com terceiros, e, de outro, preservem aspectos culturais e sociais peculiares ao futebol”, escreve Pacheco na justificação da proposta,que recebeu emendas dos senadores Paulo Paim (PT-RS), Jayme Campos (DEM-MT), Rose de Freitas (MDB-ES), Wellington Fagundes (PL-MT), Paulo Rocha (PT-PA), Luiz do Carmo (MDB-GO), Fabiano Contarato (PT-ES), Eduardo Braga (MDB-AM) e Irajá (PSD-TO). 

De acordo com Pacheco, “a transformação do regime de tutela do futebol vai possibilitar a recuperação da atividade futebolística, aproximando-a dos exemplos bem-sucedidos que se verificam em países como Alemanha, Portugal e Espanha”.

Batizado de Sociedade Anônima Desportiva (SAD), o modelo português é bem-sucedido em termos de arrecadação de recursos e transparência da gestão, aspecto crucial no que se refere ao comportamento de empresas futebolísticas de capital aberto, ou seja, que têm ações negociadas nas bolsas de valores. É justamente a Portugal que John Textor pretende estender mais um de seus tentáculos, de modo a assegurar 25% do capital do Benfica, segundo confirmado recentemente pelo próprio clube, bicampeão de 2018-2019 e detentor de 37 títulos do campeonato nacional. Tanto o Botafogo quanto o Benfica seriam pontos fora da curva numa estratégia de formar uma carteira de clubes menores. Um deles é o RWD Molenbeek, da Bélgica, time da segunda divisão, do qual Textor adquiriu um percentual de ações ainda não revelado.

Fonte: Agência Senado

O primeiro clube a anunciar sua possível conversão em SAF foi o Cruzeiro, no dia 18 de dezembro passado. O ex-jogador do time mineiro e da Seleção Brasileira Ronaldo Nazário estaria disposto a destinar também algo em torno de R$ 400 milhões ao clube, com a garantia de 90% do controle sobre a nova entidade. Ele firmou um contrato de intenção de compra vinculada à possibilidade real de saneamento das finanças do clube.

Como explica o consultor em mercado esportivo Amir Somoggi, fundador da empresa de marketing e comunicação Sports Value, os investidores demandam regras adequadas para poderem aplicar recursos com controle direto e amplo dos negócios. Empatar quantias vultosas em organizações que não têm dono é algo fora de cogitação. Mesmo o patrocínio puro e simples, em troca de espaço na camisa ou placas em estádios, vem perdendo elã:

— Eu acho que a SAF é mais uma oportunidade que o mercado brasileiro hoje dispõe de fazer uma transformação na gestão do futebol, que vai de mal a pior, até por conta da pandemia. Os números pioraram. Estamos falando em clubes com dívidas acima de R$ 10 bilhões, que têm novamente [uma] oportunidade. Lembrando que já tivemos a Timemania, depois tivemos o Profut, tentando reorganizar os clubes. Só que desta vez o foco é na transformação da sociedade, que é uma entidade sem fins lucrativos, em empresa. Então, me parece que isso pode, sim trazer investidores interessados no controle, porque hoje o clube social não tem dono. É como o setor público. Então acho que o interesse hoje do investidor é em controlar a operação, como é o caso do Ronaldo, no Cruzeiro, como é o caso desse americano no Botafogo. Então, [a questão] é trazer controle privado para a administração do futebol.

Fonte: Agência Senado

Somoggi esclarece que a transformação de clubes em empresas prevista na Lei 14.193 não confere automaticamente credibilidade a um clube, mas já é um bom começo:

— O Flamengo, o Atlético Paranaense, o Ceará hoje são bons exemplos de boa administração sem necessariamente terem virado empresa. Mas é óbvio que os mecanismos, as ferramentas de que a lei dispõe [têm] um impacto direto no financiamento dos clubes, que hoje é o maior problema. Todo o dinheiro que entra nos clubes já está todo consumido por [compromissos de] anos anteriores. E aí eles usam empréstimos para cobrir esse rombo ou fecham [os balanços] com pesadas perdas e têm dívidas enormes. Essa é a grande realidade. Então, na nossa visão, o que essa lei pode trazer é uma melhora da gestão usando as ferramentas de que o mercado financeiro dispõe. Essa lei é moderna, mas ela não é a solução [em si].

Sobre as chances dos dois times pioneiros da era SAF, o consultor acredita que a lei foi desenhada mais para ajudar clubes endividados (como Cruzeiro, Botafogo ou mesmo Vasco) do que efetivamente para alavancar gestões consideradas “boas”:

— Para o Botafogo, com dívida de R$ 1 bilhão, que vem da Série B, voltando para a Série A, ter um investidor estrangeiro era a única solução, um investidor externo, porque sozinho não ia conseguir crescer, pelo tamanho do rombo em que se encontra. O Cruzeiro vive situação semelhante, sendo que, no passado, era um clube em situação muito melhor. Mas hoje tem uma dívida de R$ 1 bilhão também, está na Série B, com o orçamento muito baixo e teve agora esse aporte do Ronaldo. Então me parece que a lei foi feita para eles. Tanto o Cruzeiro quanto o Botafogo dificilmente teriam como, sozinhos, injetar recursos para fazer a roda girar e poder sair do atoleiro. Essa é a verdade. Então, o Ronaldo no Cruzeiro e agora esse investidor estrangeiro no Botafogo provam que a SAF pode, sim, ser um alento e trazer resultados efetivos para a transformação do nosso mercado.


Fonte: Agência Senado

A audiência do Parlamento às demandas de clubes e investidores é confirmada em informe do Botafogo sobre a contratação de consultoria financeira com o objetivo da conversão ao modelo empresarial. “A agremiação é uma das precursoras no debate desse processo, quando ainda em 2019 obteve aprovação do Conselho Deliberativo para a criação da Botafogo S.A. e posterior venda do seu controle societário. A nova lei da Sociedade Anônima de Futebol vai ao encontro do que o Botafogo já trabalhava há dois anos. Colaboramos [com] toda a elaboração da lei e nos vemos inseridos dentro das diretrizes impostas, com práticas modernas, controle fiscal e profissionais capacitados na tomada de decisões financeiras e tributárias”, diz o informe, que reflete mais um dos projetos de salvação do Botafogo, o de agora a cargo de Durcesio Mello, presidente, e Jorge Braga, CEO.

Apesar do esforço de venda promovido por dirigentes como os do time carioca — que o colocam como “o produto de investimento do futebol mais interessante no país”, destacando “a profissionalização com ampla reformulação administrativa e econômica” —, os investidores, como é natural, são cautelosos em relação aos negócios anunciados em meio à euforia de torcidas sempre ávidas por feitos extraordinários.

Enquanto Textor visitava o Estádio do Engenhão e outras instalações do Botafogo, e o time preparava as consultas para aprovação do contrato pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral, ambas com resultado positivo, Ronaldo dava sua primeira entrevista coletiva, após iniciar auditoria nas finanças do Cruzeiro e deparar com um cenário “trágico”. A dívida apurada até agora já passa de R$ 1 bilhão: “Cada dia que abrimos uma gaveta encontramos alguma surpresa negativa”, lamenta o ex-craque do time, que deixou Belo Horizonte para ir jogar na Europa há 28 anos.

Fonte: Agência Senado

Num quadro em que as receitas para os próximos dois anos já foram antecipadas e comprometidas, o clube tem de limitar seus gastos ao que arrecada, o que já andou motivando críticas de torcedores por causa da dispensa do heróico e veterano goleiro Fábio. Ronaldo descreve o Cruzeiro como um “paciente na UTI”, do qual é preciso “estancar o sangramento”, mas diz que não pretende desistir da empreitada, ainda que a desistência esteja prevista no contrato temporário.

Textor, por sua vez, revelou na primeira entrevista à Botafogo TV que está animado com o desafio, mas não deve ser visto como alguém que vai “colocar a estrela solitária” no travesseiro. O investidor chegou inclusive a confessar que o time não era do tipo que o levaria a ter uma paixão à primeira vista, mas foi convencido “por dois jovens” a apostar no alvinegro.

Conforme o jornal esportivo Lance, eles se chamam Thairo Arruda e Danilo Caixeiro. Sócios numa empresa de consultoria e assessoramento voltada ao mercado da bola, os dois estão entre os especialistas que levaram suas preocupações ao Congresso quando dos debates sobre a Lei da SAF. O mesmo jornal relata que Arruda e Caixeiro estavam empenhados na compra de um time, por eles mesmos, em Portugal, quando a pandemia da covid-19 desfez os planos, redirecionando-os para as chances que se abriam no Brasil com a nova lei.

Uma semana depois de o Conselho Deliberativo do Botafogo aprovar a SAF, a diretoria do Vasco da Gama realizou nesta sexta (21) um debate transmitido pela VascoTV na internet para "familiarizar" os sócios com o tema. Estão em elaboração avaliações econômicas e jurídicas da possível adesão ao modelo da sociedade anônima. "É consenso que a nova legislação federal que criou a SAF abre oportunidades muito interessantes para os clubes e que o Vasco deve acelerar esses estudos e debatê-los internamente", diz nota oficial do clube divulgada recentemente. Estariam interessados no Vasco os norte-americanos da 777 Partners — dona do Genoa, da Itália, e com participação (minoritária) de 15% no Sevilla, da Espanha — e Roman Abramovich, dono do Chelsea, à frente de um grupo russo.

Fonte: Agência Senado

A entrada em cena da fauna inquieta e ambiciosa de megainvestidores e intermediários de negócios dá uma medida da fresta aberta pela SAF. A clubes que precisam se manter de pé ou se soerguer, depois de uma longa trajetória de endividamento e gestões conturbadas, é oferecida a perspectiva real de entregarem a administração do futebol — e atividades conexas — a investidores comprometidos com um alto nível de competitividade esportiva e rentabilidade econômico-financeira.

A sociedade anônima criada a partir de agremiações de idades até centenárias é um ente totalmente novo e financeiramente sadio, embora deva manter o vínculo com as tradições e a imagem da marca que adquiriu — e se obrigue a saldar, no tempo, as dívidas que ficaram com o antigo clube. Esse pagamento será indireto, por meio da transferência à sociedade original de 20% de suas receitas correntes mensais e de 50% de dividendos ou juros sobre capital próprio da nova sociedade.

Esta última manterá em seu poder ações “classe A”, na proporção de 10%, para ter poder de decisão sobre assuntos como a venda de imóveis ou direitos de propriedade intelectual incorporados ao capital social da nova empresa, a reorganização societária ou empresarial e até a dissolução da SAF.

E se, em algum momento, o volume de ações classe A caírem abaixo de 10%, a sociedade sem fins lucrativos original ainda poderá vedar a alteração do nome do time ou a modificação de signos identificativos da equipe de futebol profissional, incluídos aí símbolo, brasão, marca, alcunha, hino e cores. Afinal de contas, esse legado simbólico é capital acumulado por toda uma coletividade, e custou, literalmente, sangue, suor e lágrimas.

Independentemente do que reza a nova lei, Textor disse em entrevista à Botafogo TV (assista no Saiba Mais, abaixo) que compreende sua posição não como “dono” de um clube, mas uma espécie de tutor:

— O clube pertence à sua torcida. Já estava aqui antes de nós nascermos e estará aí muito depois que nos formos — sentenciou o investidor, que classifica como “sábias” as decisões do Congresso e do governo em relação à Lei 14.193.

Fonte: Agência Senado

A SAF nascerá dentro de um regime tributário especial e simplificado: arrecadação mensal em documento único do Imposto de Renda, PIS/Cofins, CSLL e contribuições previdenciárias, na base de 5% nos cinco primeiros anos de vigência e 4% a partir do sexto ano, mas sem incidir sobre a receita pela venda de direitos esportivos dos jogadores.

Do ponto vista do financiamento, a SAF pode captar tanto recursos privados (na forma de debêntures-fut, títulos de crédito privado de renda fixa a serem emitidos pelos clubes) quanto públicos, por meio de incentivos ao esporte(Lei 11.438 de 2006). Em troca, terá de se engajar em projetos educativo-esportivos, sem discriminação de gênero, vinculados ao ensino formal. E garantir instalações seguras para alojamentos de atletas em treinamento, um reflexo das trágicas mortes de adolescentes no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do Flamengo, em fevereiro de 2019.

No mais, poderão:

  • Investir na formação de atletas, contemplando obrigatoriamente as mulheres
  • Beneficiar-se das receitas decorrentes da transação dos seus direitos desportivos
  • Arrecadar recursos com a transmissão de jogos e a organização de eventos esportivos
  • Explorar os direitos de propriedade intelectual de titularidade da SAF ou da sociedade original e de ativos, inclusive imobiliários

A venda em bolsas de valores não está vedada, conforme o consultor legislativo em direito empresarial José Carlos Silveira Barbosa Júnior, mas Bolsonaro vetou a emissão de outros títulos  assim como a divulgação dos nomes de cotistas de fundos integrantes da nova sociedade. Como no momento, por uma questão de custos para as SAF e de incerteza sobre o futuro dessas empresas, as negociações em bolsa estão praticamente descartadas, restará ao público a compra de debêntures-fut. Esses papéis terão prazo igual ou superior a dois anos e serão remunerados periodicamente a taxa de juros não inferior ao rendimento anualizado da caderneta de poupança mais fatia variável vinculada ou referenciada às atividades ou ativos da Sociedade Anônima do Futebol.

Um aspecto muito ressaltado da Lei 14.193 é o rigor na administração das sociedades, possível por meio da constituição de conselho de administração e conselho fiscal e pela publicação de balanços, relatórios, listas de credores e pagamentos de dívidas, tanto pela SAF quanto pela sociedade sem fins lucrativos original.

Fonte: Agência Senado

Em resumo, a lei fornece um arcabouço jurídico amplo para que os novos gestores de clubes antigos ou de clubes que nasçam sob o signo da SAF imprimam um escopo e um ritmo de atividades destinados a ampliar o já enorme potencial midiático do futebol, em conexão com redes sociais, criptografia e eventos de prestígio.

Nesse contexto, o papel do torcedor irá além de vibrar (ou sofrer) no estádio e receber atletas e dirigentes no aeroporto, como fez Thales Maia, ao brindar John Textor com um “I love you”, normalmente dirigido a ídolos que atuam de chuteira, e não de mocassim.

Fonte: Agência Senado

Se fosse torcedor do Atlético, do Corinthians, do Flamengo ou do São Paulo, Maia já poderia poupar as gorjetas que recebe da avó pela lavagem do carro para comprar fan tokens, um produto digital com certificado que dá direito a promoções “encontros festivos com seus ídolos” e participação em certos tipos de decisão nos clubes. Outro produto digital na mira dos novos gestores do futebol é o NFT (Token não Fungível), por meio do qual o torcedor pode ter como propriedade sua uma imagem relacionada ao clube, podendo transacioná-la no mercado ou usá-la como moeda em jogos eletrônicos.

Segundo a Sporsts Value, a exploração de ativos digitais tem poder ilimitado de receitas. Envolve exploração do marketing de conteúdo, monetizações digitais, estratégias de comercialização on-line focadas em redes sociais ou outras plataformas de mídia social, além, é claro, dos fan tokens e dos NFTs.

O site do Botafogo já informa a pretensão de Textor, sócio majoritário da FuboTV, uma plataforma de streaming especializada em transmissão de ligas e conteúdos de entretenimento, de comprar os direitos dos jogos do Botafogo para disponibilizar em outros países, internacionalizando ainda mais a marca do clube. No dia 13, ao mesmo tempo em que o Conselho deliberativo do time aprovava a SAF, a FuboTV comprou os direitos de transmissão da Premier League, principal liga da Inglaterra, para o Canadá.  

“A FuboTV compra os direitos canadenses da Premier League inglesa! Muito orgulhoso da FuboTV e seu compromisso contínuo de ser líder na entrega da oferta de conteúdo esportivo mais diversificada e valiosa. Pronto para o Botafogo?”, publicou o norte-americano no Twitter.

Nesse embalo, o clube já comemora a difusão do seu nome pelo mero fato de que o noticiário internacional é generoso com as peripécias do controlador do fundo Eagle. Ao lado disso, “visando ao processo de internacionalização da marca”, a loja do Botafogo firmou parceria com uma empresa de e-commerce para a começar a vender produtos oficiais fora do Brasil, a princípio na Austrália, Canadá, China, Grã Bretanha, Hong Kong, Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos. Em seis meses, informa o site do clube, o Botafogo chegou a receitas de comércio eletrônico no valor de R$ 3,2 milhões, mesmo número obtido durante os anos de 2017, 2018 e 2019, somados. A elevação no faturamento médio, de 450%, decorreu do aumento do número de produtos licenciados, lançamentos de duas novas camisas e  ações de marketing nas redes sociais, com o impulsionamento da campanha pelo título da Série B.

Se o que os torcedores e atletas querem é amplificar glórias e superar um passado de maus bocados financeiros, não perdem por esperar, mas vão suar a camisa muito além do estádio e dos centros de treinamento. Thales Maia teve uma amostra desse novo complexo esportivo-midiático quando, logo após seu ato chamativo, viu crescer exponencialmente o número de seguidores e interações em seus perfis de redes digitais. “É uma coisa nova pra mim. Não sei ainda o que vou fazer com isso.” 

Fonte: Agência Senado

Apesar dos rios de dinheiro que usualmente regam essas metamorfoses, as empresas de futebol-investimento têm um histórico variado de experiências, nem sempre agradáveis, se considerada a distância entre expectativa e realidade, para usar um termo da moda. O Crystal Palace, time de desempenho modesto até mesmo na terceira e na segunda divisão do futebol inglês, está no chamado meio da tabela de classificação, que é o que teme a ala crítica dos botafoguenses para conter o ânimo dos que acham que o “glorioso”, mesma alcunha do Benfica, passará a disputar em pé de igualdade com equipes do porte do Palmeiras e do rival Flamengo, campeão brasileiro de 2019.

O saneamento financeiro da sociedade original pode ser um complicador para a SAF, vez que obriga à destinação de recursos que poderiam ser utilizados para a contratação de reforços, quem sabe alguma estrela, no momento em que o clube luta para manter-se competitivo, contentar seus torcedores e garantir renda com ingressos, audiência e publicidade. Mesmo ainda dirigindo uma sociedade sem fins lucrativos, Leila Pereira, primeira mulher a presidir o Palmeiras, campeão nacional de 2018, enfrenta oposição com somente um mês de gestão, justamente em razão de antipáticos, mas aparentemente necessários, cortes de despesas.

Já o Figueirense, clube de Santa Catarina atualmente na série C do Brasileirão, montou estratégia própria para ingressar na era SAF.  Conforme o site Globo Esporte, conseguiu na Justiça a autorização para seu o plano de recuperação extrajudicial (o mesmo previsto na Lei 14.193) e quitará dívidas no valor de R$ 165 milhões em até 15 anos, dívidas essas que cresceram durante a atuação de uma gestora privada. Com isso, espera vencer a perspectiva de encerramento das atividades e reinventar-se como sociedade anônima. A SAF do Figueirense — “100% blindada” — já se constituiu e seus dirigentes agora procuram investidores.

Se a meta dos catarinenses é a volta à série A e, dali, “alçar voos ainda maiores”, os alvinegros do Rio inflamam as redes sociais com sugestões de jogadores que estariam disponíveis como reforços nos mercados nacional e internacional. Mesmo tendo obtido amiúde o socorro de famosos e endinheirados torcedores, o time da estrela solitária tem custado a engatar um desempenho regular e guarda, com extremo zelo, a memória de espaçados títulos estaduais e, principalmente, do campeonato brasileiro de 1995. Se nos lembrarmos que um dos bordões dessa torcida é a frase “para o Botafogo, tudo é mais difícil”, a vida e a lei estão ensaiando sorrir, não talvez como nos saudosos anos 60 de Garrincha e Nilton Santos, mas pelo menos com assento garantido e, por que não, um título na primeira divisão

Fonte: Agência Senado

Nem sempre, porém, o cartola foi o tipo que se aproveitava da negociação de jogadores, manipulava resultados, tinha influência na justiça desportiva ou destruía carreiras de atletas, obrigando-os a jogar machucados. Muitas vezes, apenas operava com o tinha à mão, até uma abordagem autoritária e personalista, que os levava a misturar suas finanças pessoais com as do clube, a ponto de tirar dinheiro do próprio bolso para comprar jogadores, o que no fim é visto como uma manifestação de amor.

Um dos nomes que poderiam se enquadrar na descrição acima são, segundo várias menções, o empresário do rádio e da televisão, presidente do São Paulo e da delegação do Brasil nas copas de 1962 e 1958, Paulo Machado de Carvalho (1901-1992), de cognome Marechal da Vitória. Reza a lenda que, insatisfeito com o desempenho de seu clube, pagava a torcedores para vaiarem o time no primeiro tempo como estratégia para exigir “heroísmo” dos jogadores durante o intervalo antes da etapa final da partida. Herói do tricolor paulista, Carvalho tem seu nome inscrito no Estádio Municipal de São Paulo, o Pacaembu.

Mais folclórico do que o “marechal”, criador da atual Rede Record e das rádios Jovem Pan e CBN, o campeão das lendas e histórias mirabolantes, além de célebres e cômicas trocas de palavras, foi o presidente do Corinthians Vicente Matheus (1908-1997). O empresário da construção civil e da mineração de pedreiras era administrador tão austero que desligava pessoalmente as luzes do clube. Matheus tem, do mesmo modo, a fama de um ótimo negociador de jogadores, sendo o responsável pela aquisição do passe de Sócrates (1954-2011) ao Botafogo de Ribeirão Preto, antecipando-se ao São Paulo.

"Matheus venceu a eleição de 1959 e se tornou, assim, presidente do Corinthians. A partir dali, mostraria sua personalidade: um líder de sangue quente e forte carisma, que conquistava a todos dentro e fora do clube não só com uma linguagem bastante informal, mas também com ações concretas. Vicente era apaixonado pelo Corinthians. Assim, tinha como principal objetivo tirar o time de futebol da fila sem títulos que havia se iniciado em 1955. Para tanto, colocaria dinheiro do próprio bolso para ajudar a reforçar o elenco", diz um texto em homenagem ao dirigente na página oficial do Corinthians, com base em pesquisa do historiador Fernando Wanner, que cuida do Memorial do clube no Parque São Jorge.

Fonte: Agência Senado

Independentemente de paixões em particular, as esperanças trazidas pela SAF incluem não somente a importação de talentos que despontam hoje, inclusive na Ásia, mas também a possibilidade de manter aqui aqueles que brilham em gramados nos quais o desenho das jogadas fica bem mais visível. Um exemplo mencionado pelo relator do projeto que resultou na Lei 14.193, senador Carlos Portinho (PL-RJ), foi o do atleta Vinicius Junior, ex-Flamengo, transferido ao Real Madrid por 40 milhões de euros: “Com a constituição da SAF, os clubes retomarão o seu lugar nos negócios do futebol. Para um investidor, ou clube estrangeiro, possivelmente seria melhor o investimento desse valor na SAF, diluindo os riscos do seu investimento e tendo uma cesta de atletas em formação para dela se beneficiar como acionista. O momento da venda poderia inclusive ser postergado, com isso retendo com maior frequência os jovens talentos no nosso país. Um aporte nessa ordem de 40 milhões de euros numa SAF sanearia imediatamente as finanças de muitos clubes formadores, hoje em difícil situação financeira, permitindo a sua reestruturação".

Quem assistiu à partida do dia 8 entre o Real Madri e o Valência ou apenas viu o gol de Vini Jr, ao superar dois oponentes com um incomum duplo drible da vaca, pôde perceber o significado das palavras de Portinho.

Fonte: Agência Senado

Astúcia, autoritarismo e benemerência 

Se a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) se impuser como o modelo de gestão predominante entre os times brasileiros, dentro do que dispõe a Lei 14.193, poderá aposentar de vez um tipo de dirigente que marcou a história do futebol brasileiro: o que se aproveita de uma sociedade sem fins lucrativos e, a título de autossacrifício, a dirige em proveito próprio, seja financeiro ou político.

Não que a lei, por si só, possa reverter a inclinação à desonestidade de pessoas às voltas com organizações futebolísticas. Mas ao dar aos clubes uma natureza privada com fins lucrativos, poderá evitar obscuras relações de pessoas lidando com orçamentos milionários pertencentes a coletividades, na condição de abnegados benfeitores.

No mínimo, espera-se que os dirigentes, sendo os donos dos clubes, ou prepostos de seus donos, atuem a favor da boa gestão dos negócios, com vista a lucros e valorização. A Lei 14.193 inclusive impõe barreiras a que uma pessoa seja dona ou participe do controle de mais de uma SAF.

De qualquer forma, com apenas dois clubes se encaminhando no momento para o novo sistema, as sociedades anônimas têm pela frente um período longo de experiência até provar que a gestão privada é adequada e justa com uma categoria de público que está na intersecção entre o consumidor e a clientela — mesmo nessa última hipótese, envolvida em relações indiretas de consumo e esforço de capitalização. Se o torcedor não for a estádios, não assinar canais esportivos na TV por assinatura e só comprar camisas piratas de seu clube, bastará defendê-lo durante o cafezinho no trabalho para se comportar como um sócio informal e difuso da empresa, sem nenhuma remuneração, exceto as emoções das vitórias e dos títulos.

Esse vínculo, no entanto, poderá ser formalizado por meio da inscrição em programas de sócio-torcedor, previstos na lei como fonte de renda das SAF. Ronaldo Nazário, por exemplo, propôs à torcida do Cruzeiro que alcance a “meta” de 50 mil inscritos no programa Torcedor 5 Estrelas, que tem entre seus benefícios ingressos “grátis” para sócio e acompanhante.

A entrada franca sempre foi, aliás, um item nas relações clientelistas dos cartolas com apoiadores, tal qual as benesses a integrantes de torcidas organizadas, na via de mão dupla da apropriação de dinheiro de clubes e da caridade com o chapéu alheio — o que incorpora um sentido a mais ao apelido dessa classe de administrador.

Cercada de controvérsias, a origem do termo cartola no futebol brasileiro é vaga: não se sabe se começou a ser usado por atores da atividade, fossem jogadores, técnicos, torcedores, profissionais da imprensa. O que é clara é associação pejorativa entre um tipo de chapéu muito comum entre magnatas até as primeiras décadas do século 20 e a posição de poder dos que comandavam as equipes do ponto de vista administrativo e financeiro.

Fonte: Agência Senado

A passagem de Sócrates pelo Timão é indissociável de outra etapa na lenta trajetória do futebol brasileiro rumo a uma gestão digna das qualidades técnicas dos nossos jogadores e com forte questionamento ao papel tradicional dos cartolas: a Democracia Corinthiana, movimento que deu as cartas no Parque São Jorge entre 1982 e 1984 e que se confundiu com a luta pela volta da democracia no Brasil depois de 18 anos de ditadura militar.

Contratações, regras de concentração, consumo de bebidas alcoólicas, expressão política estavam entre as questões decididas conjuntamente pela diretoria, jogadores (principalmente Sócrates, Casagrande e Wladimir), comissão técnica e outros integrantes da equipe. Considerado revolucionário, esse sistema de autogestão rendeu, além de um ambiente leve e dinâmico, dois títulos estaduais e muitos gols.

A inscrição “Democracia Corinthiana”, criada pelo jornalista Juca Kfouri e difundida pelo publicitário Washington Olivetto, na camisa do time antecipou outra fase rumo à gestão privada do futebol brasileiro: a autorização do Conselho Nacional de Desportos (CND), em 1982, para que os times pudessem estampar marcas publicitárias em seus mantos sagrados. Quem inaugurou o patrocínio foi o modesto Democrata de Sete Lagoas (MG) — conforme o site UOL, recebeu Cr$ 500 mil em uniformes, bolas, chuteiras e tênis de uma empresa mineira de material esportivo. Posteriormente um banco viria a patrocinar o time.

Fonte: Agência Senado

Estrela maior de uma fase anterior, o Rei do Futebol tentaria fazer nos anos 90, na condição de ministro dos Esportes, algo para dar mais profissionalismo à gestão do setor. Ele, que passara por experiências como a de dividir, no vestiário, a parte que cabia da bilheteria aos jogadores, contando nota por nota.

Mais conhecida como Lei Pelé, a Lei 9.615, de 1998, mudou, de forma mandatória, as regras sobre o passe de jogadores de futebol, ao revogar a Lei Zico (Lei 8.672, de 1993), norma apenas sugestiva, e transferiu o domínio dos direitos desportivos dos atletas da esfera dos clubes para a esfera de empresários privados, o que acabou sendo posteriormente criticado pelo próprio Pelé.

Extinta a Lei do Passe (Lei 6.354, de 1976), supostamente para livrar os jogadores de um jugo, os clubes pararam de investir na formação de jogadores, em razão de ganhos bem menores. Com isso, segundo críticos, os atletas transformaram-se em mercadorias ao bel-prazer de empresários: "Antes, o jogador ficava cinco, dez anos jogando no mesmo clube. Hoje não é mais assim. Muito empresário leva o jogador para a Ásia, Rússia e esquece ele lá, faz o que quiser”, disse Pelé em 2014.

Com o objetivo de aumentar a responsabilização dos dirigentes de futebol, o Congresso votou em anos subsequentes vários acréscimos e mudanças à Lei 9.615, cujos artigos obrigando os clubes ao regime empresarial acabaram revogados. A Lei 10.672/2003 deixou explícito que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica e se sujeita à observância de princípios como transparência financeira e administrativa; moralidade na gestão desportiva; e responsabilidade social dos dirigentes.

Em 2011, a Lei 12.395 estabeleceria que administradores de entidades desportivas profissionais deveriam responder solidária e ilimitadamente por atos ilícitos, de gestão temerária ou contrários ao previsto no contrato social ou estatuto.

Já em 2020, durante a pandemia, a Lei 14.073 reforçaria o espírito da 12.395, no que tange à responsabilização de dirigentes, mas entraria em detalhes sobre os atos de gestão “irregular ou temerária” e os definiria como aqueles que revelassem desvio de finalidade na direção da entidade ou que gerassem “risco excessivo e irresponsável para seu patrimônio”, tais como:

  • Aplicar créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros
  • Obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte ou possa resultar prejuízo para a entidade desportiva
  • Celebrar contrato com empresa da qual o dirigente, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, sejam sócios ou administradores, exceto no caso de contratos de patrocínio ou doação em benefício da entidade desportiva
  • Receber qualquer pagamento, doação ou outra forma de repasse de recursos oriundos de terceiros que, no prazo de até um ano, antes ou depois do repasse, tenham celebrado contrato com a entidade desportiva profissional
  • Antecipar ou comprometer receitas em desconformidade com o previsto em lei
  • Não divulgar de forma transparente informações de gestão aos associados
  • Deixar de prestar contas de recursos públicos recebidos

A Lei 14.073/2020 estabeleceu igualmente algumas regras para a responsabilização dos dirigentes por meio de mecanismos de controle social internos da entidade, sem prejuízo da adoção das providências necessárias à apuração das eventuais responsabilidades civil e penal.

É importante lembrar que a Lei Pelé não foi revogada pela Lei da SAF. Antes, foi modificada pela nova norma no sentido de abrigar a possibilidade da organização das entidades futebolísticas na forma de sociedades anônimas. De modo que vários trechos, inclusive com remissão ao Código Civil, definem sanções ao comportamento lesivo aos clubes.

Gradualmente restrito pelas leis, o enredo astucioso dos dirigentes acabou encontrando expressão em um jogo eletrônico de futebol estilo fantasy game, no qual os participantes montam seus times com avatares de jogadores de futebol da vida real. Lançado no ano de 2004, o Cartola FC havia superado a marca de 5,5 milhões de times escalados em 2017.

O jogo tem como base o Campeonato Brasileiro de Futebol e consiste na compra e venda fictícias de jogadores, que podem ser valorizados ou não, dada a atuação de cada um nos jogos reais da competição. Sempre que uma temporada se inicia, cada jogador recebe 100 cartoletas, moeda virtual do jogo, sem valor na vida real. O participante monta seu time inicial ao adquirir 11 jogadores e um treinador, dentro do limite de seu orçamento.

Se oferece alguma capacitação para a vida real, a ocupação de espaços dentro das sociedades anônimas que devem surgir nos próximos anos poderá dizer.

Fonte: Agência Senado

Olhe aqui, Mr. Textor!

 O futuro é o paraíso da ironia. Transcorridos exatamente 60 anos da publicação de um célebre poema de Vinicius de Moraes (1913-1980) falando de delícias só encontráveis à época no Brasil, o mundo foi virado do avesso. Vislumbrá-lo provavelmente espantaria o “poetinha”.

“Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo” foi escrito a propósito de questionamento que teria sido feito a Vinicius por um suposto milionário norte-americano diante da decisão do então diplomata de retornar antecipadamente ao Brasil, cumpridos cinco dos seis anos de missão em Los Angeles.

“Mr. Buster não podia compreender como é que eu, tendo ainda o direito de permanecer mais um ano na Califórnia, preferia, com grande prejuízo financeiro, voltar para a ‘Latin America’”, escreveu o poeta no prólogo à sua composição poética. A resposta foi dada em 24 linhas de versos brancos (sem rimas) e de métrica variada, com um fecho que atestava a superioridade de valores nacionais não adquiríveis por fortunas em dólar:

 Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:

O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?

O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?

O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?

O milionário nunca receberia a resposta, na convicção de Vinicius, a não ser que estivesse morto “e esse negócio de espiritismo” funcionasse. Entretanto, avesso ao que apreciamos e desejamos conservar, o tempo cria diálogos imprevistos e emite respostas em sincronias talvez só interpretáveis numa dimensão cósmica.

O choro de Pixinguinha é um sucesso no Japão, país cujo futebol era amador em 1962. Nativa do Brasil e, presentemente, termo pejorativo para coisas que só existem no Brasil, a jabuticaba já pode ser encontrada na Argentina e no Uruguai. E o Botafogo? Ah! O Botafogo! Acaba de ser transformado numa Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e vendido (sob condições) a um milionário norte-americano, de sobrenome Textor — mesmo número de sílabas de Buster, para quem procura sinais que o universo manda.

Fonte: Agência Senado

Via Twitter, um meio de comunicação criado em bases científicas pela tecnologia da eletrônica e da comunicação, John enviou ao Brasil uma mensagem declarando que está “cada vez mais apaixonado pela torcida do Botafogo”. É que ele recebeu, pelo WhatsApp, imagens dos alvinegros comemorando na noite do dia 13 a aprovação da SAF pelo Conselho Deliberativo, com repasse de 90% das ações ao fundo de investimentos Eagle Holdings, e promessa de injeção de R$ 400 milhões ao longo dos próximos quatro anos.

“Quero te ver campeão de novo”, urravam os torcedores do lado de fora da sede do clube, na rua General Severiano, bairro de Botafogo, o mesmo onde o time nasceu em 1904 como iniciativa dos estudantes adolescentes Flávio Ramos e Emmanuel Sodré, apoiados pela avó materna do primeiro, Dona Chiquitota, que determinou a troca do nome inicialmente escolhido: Electro.

Enquanto o dinheiro novo não chega para contratações, o time perde um jogador importante para a conquista da taça da séria B em 2021 e a volta à série A: Luis Oyama, neto de japoneses, emprestado, custaria R$ 3,5 milhões só em direitos ao Mirassol Futebol Clube, da cidade de mesmo nome.

Resta saber o que o dinheiro fará ao Botafogo, um time que compartilha muitas das simbologias entre as muitas que há no futebol, mas que vive algumas de maneira singular, especialmente a das vitórias merecidas, mas nunca alcançadas, como um sinal inequívoco de nobreza. A mesma nobreza singular de seu escudo, considerado o mais bonito do mundo.

Pode um contrato milionário desfigurar a cultura e o imaginário de um time? Seguida a Lei 14.193, não. Aos controladores da sociedade anônima formada a partir de um clube já existente, a Lei da SAF impõe a guarda e preservação de suas tradições. E como um clube de futebol não existe sem o caráter que o guia emocionalmente, fundado numa história de feitos gloriosos — e por que não dizer, ressentimentos —, é mais recomendável que o capital opte pelo mais óbvio: “ganhar dinheiro com poesia”, nas próprias palavras de Vinicius de Moraes.

Fonte: Agência Senado

Reportagem: Nelson Oliveira
Pauta, coordenação e edição: Nelson Oliveira
Coordenação e edição de multimídia: Bernardo Ururahy e Pillar Pedreira
Edição e tratamento de fotos: Ana Volpe
Infografia: Cláudio Portella
Foto de capa: Vitor Silva/Botafogo

Fonte: Agência Senado

https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/01/novo-modelo-de-clubes-de-futebol-saf-comeca-a-se-tornar-realidade