sexta-feira, 20 de maio de 2022

Novo modelo de clubes de futebol, SAF começa a se tornar realidade



 Fonte: Agência Senado 

Nelson Oliveira
Publicado em 22/1/2022

O detalhe mais surpreendente na chegada do investidor norte-americano John Textor ao Rio de Janeiro, no dia 7, foi o presente que um modesto torcedor do Botafogo tentou lhe entregar no Aeroporto Santos Dumont: uma nota de R$ 20. Empresário do ramo das mídias digitais e do futebol, com fortuna avaliada em 191 milhões de euros (R$ 1,3 bilhão), o possível novo “dono” da equipe carioca gentilmente recusou a oferta do jovem Thales Maia. Afinal, estima-se que esteja disposto a injetar cerca de R$ 400 milhões no Botafogo por meio do fundo Eagle Holding, do qual detém o controle, depois de comprar 18% das ações do inglês Crystal Palace, 12º colocado na Premier League.

A assimetria entre Textor e Maia, tanto em termos patrimoniais quanto na abordagem sobre financiamento a um time, ajuda a avaliar a distância que guarda o futebol brasileiro dos arranjos societários e dos modelos de gestão em vigor na Europa, especialmente, e em alguns países da América Latina, como Chile e México.

Em seu desembarque no Brasil, John Textor, porém, tinha mais do que o entusiasmo da torcida alvinegra. Contava com o terreno firme de uma lei aprovada pelo Congresso em junho e sancionada em agosto pelo presidente Jair Bolsonaro. Oriunda do Projeto de Lei (PL) 5516/2019 , do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), presidente do Senado, a Lei 14193/2021 autoriza os clubes a se organizarem sob a forma de Sociedades Anônimas do Futebol (SAF), o primeiro passo do Brasil para se aproximar das variantes de clube-empresa mundo afora.

Desde 1933, quando iniciou-se de fato o profissionalismo no futebol brasileiro, os clubes são predominantemente associações sem fins lucrativos, pelo menos do ponto de vista formal, o que leva a uma natural fragmentação do comando, visto que há conselhos e assembleias a serem consultados — ou no mínimo, a serem levados em consideração. O conflito entre o caráter associativo, que implica desprendimento, e o acirramento da competição, principalmente por dinheiro, no mundo da bola coloca em pauta dilema semelhante ao que havia nos tempos da transição entre o futebol amador e o profissional: amor à camisa ou realismo econômico.

De acordo com a pesquisadora Marina Oliveira de Almeida, graduada em história pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), naquela fase, os limites insustentáveis do jogo pelo jogo, pelo deleite, eram rompidos por meio do “amadorismo marrom”, o costume de se pagar salários por fora ou manter os amadores em empregos de fachada. “O dinheiro corromperia o esporte. A palavra amador significa, inclusive, aquele que ama, nesse caso aquele que ama o esporte, e não o faz para ganhar dinheiro. A prevalência do amor, entretanto, também tinha seu preço: buscas eram empreendidas “para confirmar que os jogadores possuíam outra profissão e recebiam por essa profissão. Caso não fosse confirmado como profissional de outra área, o jogador era retirado do campeonato”, escreve a integrante do Grupo Interdisciplinar de Estudos sobre Futebol (Gief) em artigo para o site Ludopédio.

Conforme o professor de história da Unifesp Fabio Franzini, mencionado no artigo de Marina, “cada vez mais, a necessidade de vitórias era questão de sobrevivência para os clubes, que se pegavam obrigados a atrair os melhores jogadores para seus quadros[…]. Isso não apenas implicou o estremecimento de barreiras econômicas, sociais e raciais que definiam um 'perfil ideal' para os atletas, como disseminou por praticamente todos os clubes atitudes como a oferta de dinheiro e outras vantagens para aqueles que viessem a vestir sua camisa. A suposta essência do esporte, o amadorismo, era solapada pela realidade”.

Fonte: Agência Senado

O investidor John Textor e o torcedor Thales Maia: assimetria gigantesca revela fragilidades na gestão do futebol brasileiro (fotos: Vitor Silva/Botafogo e Arquivo Pessoal)

“Para transformar a realidade do futebol no Brasil, afigura-se necessário oferecer aos clubes uma via societária que legitime a criação desse novo sistema, formador de um também novo ambiente, no qual as organizações que atuem na atividade futebolística, de um lado, inspirem maior confiança, credibilidade e segurança, a fim de melhorar sua posição no mercado e seu relacionamento com terceiros, e, de outro, preservem aspectos culturais e sociais peculiares ao futebol”, escreve Pacheco na justificação da proposta,que recebeu emendas dos senadores Paulo Paim (PT-RS), Jayme Campos (DEM-MT), Rose de Freitas (MDB-ES), Wellington Fagundes (PL-MT), Paulo Rocha (PT-PA), Luiz do Carmo (MDB-GO), Fabiano Contarato (PT-ES), Eduardo Braga (MDB-AM) e Irajá (PSD-TO). 

De acordo com Pacheco, “a transformação do regime de tutela do futebol vai possibilitar a recuperação da atividade futebolística, aproximando-a dos exemplos bem-sucedidos que se verificam em países como Alemanha, Portugal e Espanha”.

Batizado de Sociedade Anônima Desportiva (SAD), o modelo português é bem-sucedido em termos de arrecadação de recursos e transparência da gestão, aspecto crucial no que se refere ao comportamento de empresas futebolísticas de capital aberto, ou seja, que têm ações negociadas nas bolsas de valores. É justamente a Portugal que John Textor pretende estender mais um de seus tentáculos, de modo a assegurar 25% do capital do Benfica, segundo confirmado recentemente pelo próprio clube, bicampeão de 2018-2019 e detentor de 37 títulos do campeonato nacional. Tanto o Botafogo quanto o Benfica seriam pontos fora da curva numa estratégia de formar uma carteira de clubes menores. Um deles é o RWD Molenbeek, da Bélgica, time da segunda divisão, do qual Textor adquiriu um percentual de ações ainda não revelado.

Fonte: Agência Senado

O primeiro clube a anunciar sua possível conversão em SAF foi o Cruzeiro, no dia 18 de dezembro passado. O ex-jogador do time mineiro e da Seleção Brasileira Ronaldo Nazário estaria disposto a destinar também algo em torno de R$ 400 milhões ao clube, com a garantia de 90% do controle sobre a nova entidade. Ele firmou um contrato de intenção de compra vinculada à possibilidade real de saneamento das finanças do clube.

Como explica o consultor em mercado esportivo Amir Somoggi, fundador da empresa de marketing e comunicação Sports Value, os investidores demandam regras adequadas para poderem aplicar recursos com controle direto e amplo dos negócios. Empatar quantias vultosas em organizações que não têm dono é algo fora de cogitação. Mesmo o patrocínio puro e simples, em troca de espaço na camisa ou placas em estádios, vem perdendo elã:

— Eu acho que a SAF é mais uma oportunidade que o mercado brasileiro hoje dispõe de fazer uma transformação na gestão do futebol, que vai de mal a pior, até por conta da pandemia. Os números pioraram. Estamos falando em clubes com dívidas acima de R$ 10 bilhões, que têm novamente [uma] oportunidade. Lembrando que já tivemos a Timemania, depois tivemos o Profut, tentando reorganizar os clubes. Só que desta vez o foco é na transformação da sociedade, que é uma entidade sem fins lucrativos, em empresa. Então, me parece que isso pode, sim trazer investidores interessados no controle, porque hoje o clube social não tem dono. É como o setor público. Então acho que o interesse hoje do investidor é em controlar a operação, como é o caso do Ronaldo, no Cruzeiro, como é o caso desse americano no Botafogo. Então, [a questão] é trazer controle privado para a administração do futebol.

Fonte: Agência Senado

Somoggi esclarece que a transformação de clubes em empresas prevista na Lei 14.193 não confere automaticamente credibilidade a um clube, mas já é um bom começo:

— O Flamengo, o Atlético Paranaense, o Ceará hoje são bons exemplos de boa administração sem necessariamente terem virado empresa. Mas é óbvio que os mecanismos, as ferramentas de que a lei dispõe [têm] um impacto direto no financiamento dos clubes, que hoje é o maior problema. Todo o dinheiro que entra nos clubes já está todo consumido por [compromissos de] anos anteriores. E aí eles usam empréstimos para cobrir esse rombo ou fecham [os balanços] com pesadas perdas e têm dívidas enormes. Essa é a grande realidade. Então, na nossa visão, o que essa lei pode trazer é uma melhora da gestão usando as ferramentas de que o mercado financeiro dispõe. Essa lei é moderna, mas ela não é a solução [em si].

Sobre as chances dos dois times pioneiros da era SAF, o consultor acredita que a lei foi desenhada mais para ajudar clubes endividados (como Cruzeiro, Botafogo ou mesmo Vasco) do que efetivamente para alavancar gestões consideradas “boas”:

— Para o Botafogo, com dívida de R$ 1 bilhão, que vem da Série B, voltando para a Série A, ter um investidor estrangeiro era a única solução, um investidor externo, porque sozinho não ia conseguir crescer, pelo tamanho do rombo em que se encontra. O Cruzeiro vive situação semelhante, sendo que, no passado, era um clube em situação muito melhor. Mas hoje tem uma dívida de R$ 1 bilhão também, está na Série B, com o orçamento muito baixo e teve agora esse aporte do Ronaldo. Então me parece que a lei foi feita para eles. Tanto o Cruzeiro quanto o Botafogo dificilmente teriam como, sozinhos, injetar recursos para fazer a roda girar e poder sair do atoleiro. Essa é a verdade. Então, o Ronaldo no Cruzeiro e agora esse investidor estrangeiro no Botafogo provam que a SAF pode, sim, ser um alento e trazer resultados efetivos para a transformação do nosso mercado.


Fonte: Agência Senado

A audiência do Parlamento às demandas de clubes e investidores é confirmada em informe do Botafogo sobre a contratação de consultoria financeira com o objetivo da conversão ao modelo empresarial. “A agremiação é uma das precursoras no debate desse processo, quando ainda em 2019 obteve aprovação do Conselho Deliberativo para a criação da Botafogo S.A. e posterior venda do seu controle societário. A nova lei da Sociedade Anônima de Futebol vai ao encontro do que o Botafogo já trabalhava há dois anos. Colaboramos [com] toda a elaboração da lei e nos vemos inseridos dentro das diretrizes impostas, com práticas modernas, controle fiscal e profissionais capacitados na tomada de decisões financeiras e tributárias”, diz o informe, que reflete mais um dos projetos de salvação do Botafogo, o de agora a cargo de Durcesio Mello, presidente, e Jorge Braga, CEO.

Apesar do esforço de venda promovido por dirigentes como os do time carioca — que o colocam como “o produto de investimento do futebol mais interessante no país”, destacando “a profissionalização com ampla reformulação administrativa e econômica” —, os investidores, como é natural, são cautelosos em relação aos negócios anunciados em meio à euforia de torcidas sempre ávidas por feitos extraordinários.

Enquanto Textor visitava o Estádio do Engenhão e outras instalações do Botafogo, e o time preparava as consultas para aprovação do contrato pelo Conselho Deliberativo e pela Assembleia Geral, ambas com resultado positivo, Ronaldo dava sua primeira entrevista coletiva, após iniciar auditoria nas finanças do Cruzeiro e deparar com um cenário “trágico”. A dívida apurada até agora já passa de R$ 1 bilhão: “Cada dia que abrimos uma gaveta encontramos alguma surpresa negativa”, lamenta o ex-craque do time, que deixou Belo Horizonte para ir jogar na Europa há 28 anos.

Fonte: Agência Senado

Num quadro em que as receitas para os próximos dois anos já foram antecipadas e comprometidas, o clube tem de limitar seus gastos ao que arrecada, o que já andou motivando críticas de torcedores por causa da dispensa do heróico e veterano goleiro Fábio. Ronaldo descreve o Cruzeiro como um “paciente na UTI”, do qual é preciso “estancar o sangramento”, mas diz que não pretende desistir da empreitada, ainda que a desistência esteja prevista no contrato temporário.

Textor, por sua vez, revelou na primeira entrevista à Botafogo TV que está animado com o desafio, mas não deve ser visto como alguém que vai “colocar a estrela solitária” no travesseiro. O investidor chegou inclusive a confessar que o time não era do tipo que o levaria a ter uma paixão à primeira vista, mas foi convencido “por dois jovens” a apostar no alvinegro.

Conforme o jornal esportivo Lance, eles se chamam Thairo Arruda e Danilo Caixeiro. Sócios numa empresa de consultoria e assessoramento voltada ao mercado da bola, os dois estão entre os especialistas que levaram suas preocupações ao Congresso quando dos debates sobre a Lei da SAF. O mesmo jornal relata que Arruda e Caixeiro estavam empenhados na compra de um time, por eles mesmos, em Portugal, quando a pandemia da covid-19 desfez os planos, redirecionando-os para as chances que se abriam no Brasil com a nova lei.

Uma semana depois de o Conselho Deliberativo do Botafogo aprovar a SAF, a diretoria do Vasco da Gama realizou nesta sexta (21) um debate transmitido pela VascoTV na internet para "familiarizar" os sócios com o tema. Estão em elaboração avaliações econômicas e jurídicas da possível adesão ao modelo da sociedade anônima. "É consenso que a nova legislação federal que criou a SAF abre oportunidades muito interessantes para os clubes e que o Vasco deve acelerar esses estudos e debatê-los internamente", diz nota oficial do clube divulgada recentemente. Estariam interessados no Vasco os norte-americanos da 777 Partners — dona do Genoa, da Itália, e com participação (minoritária) de 15% no Sevilla, da Espanha — e Roman Abramovich, dono do Chelsea, à frente de um grupo russo.

Fonte: Agência Senado

A entrada em cena da fauna inquieta e ambiciosa de megainvestidores e intermediários de negócios dá uma medida da fresta aberta pela SAF. A clubes que precisam se manter de pé ou se soerguer, depois de uma longa trajetória de endividamento e gestões conturbadas, é oferecida a perspectiva real de entregarem a administração do futebol — e atividades conexas — a investidores comprometidos com um alto nível de competitividade esportiva e rentabilidade econômico-financeira.

A sociedade anônima criada a partir de agremiações de idades até centenárias é um ente totalmente novo e financeiramente sadio, embora deva manter o vínculo com as tradições e a imagem da marca que adquiriu — e se obrigue a saldar, no tempo, as dívidas que ficaram com o antigo clube. Esse pagamento será indireto, por meio da transferência à sociedade original de 20% de suas receitas correntes mensais e de 50% de dividendos ou juros sobre capital próprio da nova sociedade.

Esta última manterá em seu poder ações “classe A”, na proporção de 10%, para ter poder de decisão sobre assuntos como a venda de imóveis ou direitos de propriedade intelectual incorporados ao capital social da nova empresa, a reorganização societária ou empresarial e até a dissolução da SAF.

E se, em algum momento, o volume de ações classe A caírem abaixo de 10%, a sociedade sem fins lucrativos original ainda poderá vedar a alteração do nome do time ou a modificação de signos identificativos da equipe de futebol profissional, incluídos aí símbolo, brasão, marca, alcunha, hino e cores. Afinal de contas, esse legado simbólico é capital acumulado por toda uma coletividade, e custou, literalmente, sangue, suor e lágrimas.

Independentemente do que reza a nova lei, Textor disse em entrevista à Botafogo TV (assista no Saiba Mais, abaixo) que compreende sua posição não como “dono” de um clube, mas uma espécie de tutor:

— O clube pertence à sua torcida. Já estava aqui antes de nós nascermos e estará aí muito depois que nos formos — sentenciou o investidor, que classifica como “sábias” as decisões do Congresso e do governo em relação à Lei 14.193.

Fonte: Agência Senado

A SAF nascerá dentro de um regime tributário especial e simplificado: arrecadação mensal em documento único do Imposto de Renda, PIS/Cofins, CSLL e contribuições previdenciárias, na base de 5% nos cinco primeiros anos de vigência e 4% a partir do sexto ano, mas sem incidir sobre a receita pela venda de direitos esportivos dos jogadores.

Do ponto vista do financiamento, a SAF pode captar tanto recursos privados (na forma de debêntures-fut, títulos de crédito privado de renda fixa a serem emitidos pelos clubes) quanto públicos, por meio de incentivos ao esporte(Lei 11.438 de 2006). Em troca, terá de se engajar em projetos educativo-esportivos, sem discriminação de gênero, vinculados ao ensino formal. E garantir instalações seguras para alojamentos de atletas em treinamento, um reflexo das trágicas mortes de adolescentes no Ninho do Urubu, o centro de treinamento do Flamengo, em fevereiro de 2019.

No mais, poderão:

  • Investir na formação de atletas, contemplando obrigatoriamente as mulheres
  • Beneficiar-se das receitas decorrentes da transação dos seus direitos desportivos
  • Arrecadar recursos com a transmissão de jogos e a organização de eventos esportivos
  • Explorar os direitos de propriedade intelectual de titularidade da SAF ou da sociedade original e de ativos, inclusive imobiliários

A venda em bolsas de valores não está vedada, conforme o consultor legislativo em direito empresarial José Carlos Silveira Barbosa Júnior, mas Bolsonaro vetou a emissão de outros títulos  assim como a divulgação dos nomes de cotistas de fundos integrantes da nova sociedade. Como no momento, por uma questão de custos para as SAF e de incerteza sobre o futuro dessas empresas, as negociações em bolsa estão praticamente descartadas, restará ao público a compra de debêntures-fut. Esses papéis terão prazo igual ou superior a dois anos e serão remunerados periodicamente a taxa de juros não inferior ao rendimento anualizado da caderneta de poupança mais fatia variável vinculada ou referenciada às atividades ou ativos da Sociedade Anônima do Futebol.

Um aspecto muito ressaltado da Lei 14.193 é o rigor na administração das sociedades, possível por meio da constituição de conselho de administração e conselho fiscal e pela publicação de balanços, relatórios, listas de credores e pagamentos de dívidas, tanto pela SAF quanto pela sociedade sem fins lucrativos original.

Fonte: Agência Senado

Em resumo, a lei fornece um arcabouço jurídico amplo para que os novos gestores de clubes antigos ou de clubes que nasçam sob o signo da SAF imprimam um escopo e um ritmo de atividades destinados a ampliar o já enorme potencial midiático do futebol, em conexão com redes sociais, criptografia e eventos de prestígio.

Nesse contexto, o papel do torcedor irá além de vibrar (ou sofrer) no estádio e receber atletas e dirigentes no aeroporto, como fez Thales Maia, ao brindar John Textor com um “I love you”, normalmente dirigido a ídolos que atuam de chuteira, e não de mocassim.

Fonte: Agência Senado

Se fosse torcedor do Atlético, do Corinthians, do Flamengo ou do São Paulo, Maia já poderia poupar as gorjetas que recebe da avó pela lavagem do carro para comprar fan tokens, um produto digital com certificado que dá direito a promoções “encontros festivos com seus ídolos” e participação em certos tipos de decisão nos clubes. Outro produto digital na mira dos novos gestores do futebol é o NFT (Token não Fungível), por meio do qual o torcedor pode ter como propriedade sua uma imagem relacionada ao clube, podendo transacioná-la no mercado ou usá-la como moeda em jogos eletrônicos.

Segundo a Sporsts Value, a exploração de ativos digitais tem poder ilimitado de receitas. Envolve exploração do marketing de conteúdo, monetizações digitais, estratégias de comercialização on-line focadas em redes sociais ou outras plataformas de mídia social, além, é claro, dos fan tokens e dos NFTs.

O site do Botafogo já informa a pretensão de Textor, sócio majoritário da FuboTV, uma plataforma de streaming especializada em transmissão de ligas e conteúdos de entretenimento, de comprar os direitos dos jogos do Botafogo para disponibilizar em outros países, internacionalizando ainda mais a marca do clube. No dia 13, ao mesmo tempo em que o Conselho deliberativo do time aprovava a SAF, a FuboTV comprou os direitos de transmissão da Premier League, principal liga da Inglaterra, para o Canadá.  

“A FuboTV compra os direitos canadenses da Premier League inglesa! Muito orgulhoso da FuboTV e seu compromisso contínuo de ser líder na entrega da oferta de conteúdo esportivo mais diversificada e valiosa. Pronto para o Botafogo?”, publicou o norte-americano no Twitter.

Nesse embalo, o clube já comemora a difusão do seu nome pelo mero fato de que o noticiário internacional é generoso com as peripécias do controlador do fundo Eagle. Ao lado disso, “visando ao processo de internacionalização da marca”, a loja do Botafogo firmou parceria com uma empresa de e-commerce para a começar a vender produtos oficiais fora do Brasil, a princípio na Austrália, Canadá, China, Grã Bretanha, Hong Kong, Japão, Nova Zelândia e Estados Unidos. Em seis meses, informa o site do clube, o Botafogo chegou a receitas de comércio eletrônico no valor de R$ 3,2 milhões, mesmo número obtido durante os anos de 2017, 2018 e 2019, somados. A elevação no faturamento médio, de 450%, decorreu do aumento do número de produtos licenciados, lançamentos de duas novas camisas e  ações de marketing nas redes sociais, com o impulsionamento da campanha pelo título da Série B.

Se o que os torcedores e atletas querem é amplificar glórias e superar um passado de maus bocados financeiros, não perdem por esperar, mas vão suar a camisa muito além do estádio e dos centros de treinamento. Thales Maia teve uma amostra desse novo complexo esportivo-midiático quando, logo após seu ato chamativo, viu crescer exponencialmente o número de seguidores e interações em seus perfis de redes digitais. “É uma coisa nova pra mim. Não sei ainda o que vou fazer com isso.” 

Fonte: Agência Senado

Apesar dos rios de dinheiro que usualmente regam essas metamorfoses, as empresas de futebol-investimento têm um histórico variado de experiências, nem sempre agradáveis, se considerada a distância entre expectativa e realidade, para usar um termo da moda. O Crystal Palace, time de desempenho modesto até mesmo na terceira e na segunda divisão do futebol inglês, está no chamado meio da tabela de classificação, que é o que teme a ala crítica dos botafoguenses para conter o ânimo dos que acham que o “glorioso”, mesma alcunha do Benfica, passará a disputar em pé de igualdade com equipes do porte do Palmeiras e do rival Flamengo, campeão brasileiro de 2019.

O saneamento financeiro da sociedade original pode ser um complicador para a SAF, vez que obriga à destinação de recursos que poderiam ser utilizados para a contratação de reforços, quem sabe alguma estrela, no momento em que o clube luta para manter-se competitivo, contentar seus torcedores e garantir renda com ingressos, audiência e publicidade. Mesmo ainda dirigindo uma sociedade sem fins lucrativos, Leila Pereira, primeira mulher a presidir o Palmeiras, campeão nacional de 2018, enfrenta oposição com somente um mês de gestão, justamente em razão de antipáticos, mas aparentemente necessários, cortes de despesas.

Já o Figueirense, clube de Santa Catarina atualmente na série C do Brasileirão, montou estratégia própria para ingressar na era SAF.  Conforme o site Globo Esporte, conseguiu na Justiça a autorização para seu o plano de recuperação extrajudicial (o mesmo previsto na Lei 14.193) e quitará dívidas no valor de R$ 165 milhões em até 15 anos, dívidas essas que cresceram durante a atuação de uma gestora privada. Com isso, espera vencer a perspectiva de encerramento das atividades e reinventar-se como sociedade anônima. A SAF do Figueirense — “100% blindada” — já se constituiu e seus dirigentes agora procuram investidores.

Se a meta dos catarinenses é a volta à série A e, dali, “alçar voos ainda maiores”, os alvinegros do Rio inflamam as redes sociais com sugestões de jogadores que estariam disponíveis como reforços nos mercados nacional e internacional. Mesmo tendo obtido amiúde o socorro de famosos e endinheirados torcedores, o time da estrela solitária tem custado a engatar um desempenho regular e guarda, com extremo zelo, a memória de espaçados títulos estaduais e, principalmente, do campeonato brasileiro de 1995. Se nos lembrarmos que um dos bordões dessa torcida é a frase “para o Botafogo, tudo é mais difícil”, a vida e a lei estão ensaiando sorrir, não talvez como nos saudosos anos 60 de Garrincha e Nilton Santos, mas pelo menos com assento garantido e, por que não, um título na primeira divisão

Fonte: Agência Senado

Nem sempre, porém, o cartola foi o tipo que se aproveitava da negociação de jogadores, manipulava resultados, tinha influência na justiça desportiva ou destruía carreiras de atletas, obrigando-os a jogar machucados. Muitas vezes, apenas operava com o tinha à mão, até uma abordagem autoritária e personalista, que os levava a misturar suas finanças pessoais com as do clube, a ponto de tirar dinheiro do próprio bolso para comprar jogadores, o que no fim é visto como uma manifestação de amor.

Um dos nomes que poderiam se enquadrar na descrição acima são, segundo várias menções, o empresário do rádio e da televisão, presidente do São Paulo e da delegação do Brasil nas copas de 1962 e 1958, Paulo Machado de Carvalho (1901-1992), de cognome Marechal da Vitória. Reza a lenda que, insatisfeito com o desempenho de seu clube, pagava a torcedores para vaiarem o time no primeiro tempo como estratégia para exigir “heroísmo” dos jogadores durante o intervalo antes da etapa final da partida. Herói do tricolor paulista, Carvalho tem seu nome inscrito no Estádio Municipal de São Paulo, o Pacaembu.

Mais folclórico do que o “marechal”, criador da atual Rede Record e das rádios Jovem Pan e CBN, o campeão das lendas e histórias mirabolantes, além de célebres e cômicas trocas de palavras, foi o presidente do Corinthians Vicente Matheus (1908-1997). O empresário da construção civil e da mineração de pedreiras era administrador tão austero que desligava pessoalmente as luzes do clube. Matheus tem, do mesmo modo, a fama de um ótimo negociador de jogadores, sendo o responsável pela aquisição do passe de Sócrates (1954-2011) ao Botafogo de Ribeirão Preto, antecipando-se ao São Paulo.

"Matheus venceu a eleição de 1959 e se tornou, assim, presidente do Corinthians. A partir dali, mostraria sua personalidade: um líder de sangue quente e forte carisma, que conquistava a todos dentro e fora do clube não só com uma linguagem bastante informal, mas também com ações concretas. Vicente era apaixonado pelo Corinthians. Assim, tinha como principal objetivo tirar o time de futebol da fila sem títulos que havia se iniciado em 1955. Para tanto, colocaria dinheiro do próprio bolso para ajudar a reforçar o elenco", diz um texto em homenagem ao dirigente na página oficial do Corinthians, com base em pesquisa do historiador Fernando Wanner, que cuida do Memorial do clube no Parque São Jorge.

Fonte: Agência Senado

Independentemente de paixões em particular, as esperanças trazidas pela SAF incluem não somente a importação de talentos que despontam hoje, inclusive na Ásia, mas também a possibilidade de manter aqui aqueles que brilham em gramados nos quais o desenho das jogadas fica bem mais visível. Um exemplo mencionado pelo relator do projeto que resultou na Lei 14.193, senador Carlos Portinho (PL-RJ), foi o do atleta Vinicius Junior, ex-Flamengo, transferido ao Real Madrid por 40 milhões de euros: “Com a constituição da SAF, os clubes retomarão o seu lugar nos negócios do futebol. Para um investidor, ou clube estrangeiro, possivelmente seria melhor o investimento desse valor na SAF, diluindo os riscos do seu investimento e tendo uma cesta de atletas em formação para dela se beneficiar como acionista. O momento da venda poderia inclusive ser postergado, com isso retendo com maior frequência os jovens talentos no nosso país. Um aporte nessa ordem de 40 milhões de euros numa SAF sanearia imediatamente as finanças de muitos clubes formadores, hoje em difícil situação financeira, permitindo a sua reestruturação".

Quem assistiu à partida do dia 8 entre o Real Madri e o Valência ou apenas viu o gol de Vini Jr, ao superar dois oponentes com um incomum duplo drible da vaca, pôde perceber o significado das palavras de Portinho.

Fonte: Agência Senado

Astúcia, autoritarismo e benemerência 

Se a Sociedade Anônima do Futebol (SAF) se impuser como o modelo de gestão predominante entre os times brasileiros, dentro do que dispõe a Lei 14.193, poderá aposentar de vez um tipo de dirigente que marcou a história do futebol brasileiro: o que se aproveita de uma sociedade sem fins lucrativos e, a título de autossacrifício, a dirige em proveito próprio, seja financeiro ou político.

Não que a lei, por si só, possa reverter a inclinação à desonestidade de pessoas às voltas com organizações futebolísticas. Mas ao dar aos clubes uma natureza privada com fins lucrativos, poderá evitar obscuras relações de pessoas lidando com orçamentos milionários pertencentes a coletividades, na condição de abnegados benfeitores.

No mínimo, espera-se que os dirigentes, sendo os donos dos clubes, ou prepostos de seus donos, atuem a favor da boa gestão dos negócios, com vista a lucros e valorização. A Lei 14.193 inclusive impõe barreiras a que uma pessoa seja dona ou participe do controle de mais de uma SAF.

De qualquer forma, com apenas dois clubes se encaminhando no momento para o novo sistema, as sociedades anônimas têm pela frente um período longo de experiência até provar que a gestão privada é adequada e justa com uma categoria de público que está na intersecção entre o consumidor e a clientela — mesmo nessa última hipótese, envolvida em relações indiretas de consumo e esforço de capitalização. Se o torcedor não for a estádios, não assinar canais esportivos na TV por assinatura e só comprar camisas piratas de seu clube, bastará defendê-lo durante o cafezinho no trabalho para se comportar como um sócio informal e difuso da empresa, sem nenhuma remuneração, exceto as emoções das vitórias e dos títulos.

Esse vínculo, no entanto, poderá ser formalizado por meio da inscrição em programas de sócio-torcedor, previstos na lei como fonte de renda das SAF. Ronaldo Nazário, por exemplo, propôs à torcida do Cruzeiro que alcance a “meta” de 50 mil inscritos no programa Torcedor 5 Estrelas, que tem entre seus benefícios ingressos “grátis” para sócio e acompanhante.

A entrada franca sempre foi, aliás, um item nas relações clientelistas dos cartolas com apoiadores, tal qual as benesses a integrantes de torcidas organizadas, na via de mão dupla da apropriação de dinheiro de clubes e da caridade com o chapéu alheio — o que incorpora um sentido a mais ao apelido dessa classe de administrador.

Cercada de controvérsias, a origem do termo cartola no futebol brasileiro é vaga: não se sabe se começou a ser usado por atores da atividade, fossem jogadores, técnicos, torcedores, profissionais da imprensa. O que é clara é associação pejorativa entre um tipo de chapéu muito comum entre magnatas até as primeiras décadas do século 20 e a posição de poder dos que comandavam as equipes do ponto de vista administrativo e financeiro.

Fonte: Agência Senado

A passagem de Sócrates pelo Timão é indissociável de outra etapa na lenta trajetória do futebol brasileiro rumo a uma gestão digna das qualidades técnicas dos nossos jogadores e com forte questionamento ao papel tradicional dos cartolas: a Democracia Corinthiana, movimento que deu as cartas no Parque São Jorge entre 1982 e 1984 e que se confundiu com a luta pela volta da democracia no Brasil depois de 18 anos de ditadura militar.

Contratações, regras de concentração, consumo de bebidas alcoólicas, expressão política estavam entre as questões decididas conjuntamente pela diretoria, jogadores (principalmente Sócrates, Casagrande e Wladimir), comissão técnica e outros integrantes da equipe. Considerado revolucionário, esse sistema de autogestão rendeu, além de um ambiente leve e dinâmico, dois títulos estaduais e muitos gols.

A inscrição “Democracia Corinthiana”, criada pelo jornalista Juca Kfouri e difundida pelo publicitário Washington Olivetto, na camisa do time antecipou outra fase rumo à gestão privada do futebol brasileiro: a autorização do Conselho Nacional de Desportos (CND), em 1982, para que os times pudessem estampar marcas publicitárias em seus mantos sagrados. Quem inaugurou o patrocínio foi o modesto Democrata de Sete Lagoas (MG) — conforme o site UOL, recebeu Cr$ 500 mil em uniformes, bolas, chuteiras e tênis de uma empresa mineira de material esportivo. Posteriormente um banco viria a patrocinar o time.

Fonte: Agência Senado

Estrela maior de uma fase anterior, o Rei do Futebol tentaria fazer nos anos 90, na condição de ministro dos Esportes, algo para dar mais profissionalismo à gestão do setor. Ele, que passara por experiências como a de dividir, no vestiário, a parte que cabia da bilheteria aos jogadores, contando nota por nota.

Mais conhecida como Lei Pelé, a Lei 9.615, de 1998, mudou, de forma mandatória, as regras sobre o passe de jogadores de futebol, ao revogar a Lei Zico (Lei 8.672, de 1993), norma apenas sugestiva, e transferiu o domínio dos direitos desportivos dos atletas da esfera dos clubes para a esfera de empresários privados, o que acabou sendo posteriormente criticado pelo próprio Pelé.

Extinta a Lei do Passe (Lei 6.354, de 1976), supostamente para livrar os jogadores de um jugo, os clubes pararam de investir na formação de jogadores, em razão de ganhos bem menores. Com isso, segundo críticos, os atletas transformaram-se em mercadorias ao bel-prazer de empresários: "Antes, o jogador ficava cinco, dez anos jogando no mesmo clube. Hoje não é mais assim. Muito empresário leva o jogador para a Ásia, Rússia e esquece ele lá, faz o que quiser”, disse Pelé em 2014.

Com o objetivo de aumentar a responsabilização dos dirigentes de futebol, o Congresso votou em anos subsequentes vários acréscimos e mudanças à Lei 9.615, cujos artigos obrigando os clubes ao regime empresarial acabaram revogados. A Lei 10.672/2003 deixou explícito que a exploração e a gestão do desporto profissional constituem exercício de atividade econômica e se sujeita à observância de princípios como transparência financeira e administrativa; moralidade na gestão desportiva; e responsabilidade social dos dirigentes.

Em 2011, a Lei 12.395 estabeleceria que administradores de entidades desportivas profissionais deveriam responder solidária e ilimitadamente por atos ilícitos, de gestão temerária ou contrários ao previsto no contrato social ou estatuto.

Já em 2020, durante a pandemia, a Lei 14.073 reforçaria o espírito da 12.395, no que tange à responsabilização de dirigentes, mas entraria em detalhes sobre os atos de gestão “irregular ou temerária” e os definiria como aqueles que revelassem desvio de finalidade na direção da entidade ou que gerassem “risco excessivo e irresponsável para seu patrimônio”, tais como:

  • Aplicar créditos ou bens sociais em proveito próprio ou de terceiros
  • Obter, para si ou para outrem, vantagem a que não faz jus e de que resulte ou possa resultar prejuízo para a entidade desportiva
  • Celebrar contrato com empresa da qual o dirigente, seu cônjuge ou companheiro, ou parente, em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, sejam sócios ou administradores, exceto no caso de contratos de patrocínio ou doação em benefício da entidade desportiva
  • Receber qualquer pagamento, doação ou outra forma de repasse de recursos oriundos de terceiros que, no prazo de até um ano, antes ou depois do repasse, tenham celebrado contrato com a entidade desportiva profissional
  • Antecipar ou comprometer receitas em desconformidade com o previsto em lei
  • Não divulgar de forma transparente informações de gestão aos associados
  • Deixar de prestar contas de recursos públicos recebidos

A Lei 14.073/2020 estabeleceu igualmente algumas regras para a responsabilização dos dirigentes por meio de mecanismos de controle social internos da entidade, sem prejuízo da adoção das providências necessárias à apuração das eventuais responsabilidades civil e penal.

É importante lembrar que a Lei Pelé não foi revogada pela Lei da SAF. Antes, foi modificada pela nova norma no sentido de abrigar a possibilidade da organização das entidades futebolísticas na forma de sociedades anônimas. De modo que vários trechos, inclusive com remissão ao Código Civil, definem sanções ao comportamento lesivo aos clubes.

Gradualmente restrito pelas leis, o enredo astucioso dos dirigentes acabou encontrando expressão em um jogo eletrônico de futebol estilo fantasy game, no qual os participantes montam seus times com avatares de jogadores de futebol da vida real. Lançado no ano de 2004, o Cartola FC havia superado a marca de 5,5 milhões de times escalados em 2017.

O jogo tem como base o Campeonato Brasileiro de Futebol e consiste na compra e venda fictícias de jogadores, que podem ser valorizados ou não, dada a atuação de cada um nos jogos reais da competição. Sempre que uma temporada se inicia, cada jogador recebe 100 cartoletas, moeda virtual do jogo, sem valor na vida real. O participante monta seu time inicial ao adquirir 11 jogadores e um treinador, dentro do limite de seu orçamento.

Se oferece alguma capacitação para a vida real, a ocupação de espaços dentro das sociedades anônimas que devem surgir nos próximos anos poderá dizer.

Fonte: Agência Senado

Olhe aqui, Mr. Textor!

 O futuro é o paraíso da ironia. Transcorridos exatamente 60 anos da publicação de um célebre poema de Vinicius de Moraes (1913-1980) falando de delícias só encontráveis à época no Brasil, o mundo foi virado do avesso. Vislumbrá-lo provavelmente espantaria o “poetinha”.

“Olhe aqui, Mr. Buster: está muito certo” foi escrito a propósito de questionamento que teria sido feito a Vinicius por um suposto milionário norte-americano diante da decisão do então diplomata de retornar antecipadamente ao Brasil, cumpridos cinco dos seis anos de missão em Los Angeles.

“Mr. Buster não podia compreender como é que eu, tendo ainda o direito de permanecer mais um ano na Califórnia, preferia, com grande prejuízo financeiro, voltar para a ‘Latin America’”, escreveu o poeta no prólogo à sua composição poética. A resposta foi dada em 24 linhas de versos brancos (sem rimas) e de métrica variada, com um fecho que atestava a superioridade de valores nacionais não adquiríveis por fortunas em dólar:

 Me diga sinceramente uma coisa, Mr. Buster:

O Sr. sabe lá o que é um choro de Pixinguinha?

O Sr. sabe lá o que é ter uma jabuticabeira no quintal?

O Sr. sabe lá o que é torcer pelo Botafogo?

O milionário nunca receberia a resposta, na convicção de Vinicius, a não ser que estivesse morto “e esse negócio de espiritismo” funcionasse. Entretanto, avesso ao que apreciamos e desejamos conservar, o tempo cria diálogos imprevistos e emite respostas em sincronias talvez só interpretáveis numa dimensão cósmica.

O choro de Pixinguinha é um sucesso no Japão, país cujo futebol era amador em 1962. Nativa do Brasil e, presentemente, termo pejorativo para coisas que só existem no Brasil, a jabuticaba já pode ser encontrada na Argentina e no Uruguai. E o Botafogo? Ah! O Botafogo! Acaba de ser transformado numa Sociedade Anônima do Futebol (SAF) e vendido (sob condições) a um milionário norte-americano, de sobrenome Textor — mesmo número de sílabas de Buster, para quem procura sinais que o universo manda.

Fonte: Agência Senado

Via Twitter, um meio de comunicação criado em bases científicas pela tecnologia da eletrônica e da comunicação, John enviou ao Brasil uma mensagem declarando que está “cada vez mais apaixonado pela torcida do Botafogo”. É que ele recebeu, pelo WhatsApp, imagens dos alvinegros comemorando na noite do dia 13 a aprovação da SAF pelo Conselho Deliberativo, com repasse de 90% das ações ao fundo de investimentos Eagle Holdings, e promessa de injeção de R$ 400 milhões ao longo dos próximos quatro anos.

“Quero te ver campeão de novo”, urravam os torcedores do lado de fora da sede do clube, na rua General Severiano, bairro de Botafogo, o mesmo onde o time nasceu em 1904 como iniciativa dos estudantes adolescentes Flávio Ramos e Emmanuel Sodré, apoiados pela avó materna do primeiro, Dona Chiquitota, que determinou a troca do nome inicialmente escolhido: Electro.

Enquanto o dinheiro novo não chega para contratações, o time perde um jogador importante para a conquista da taça da séria B em 2021 e a volta à série A: Luis Oyama, neto de japoneses, emprestado, custaria R$ 3,5 milhões só em direitos ao Mirassol Futebol Clube, da cidade de mesmo nome.

Resta saber o que o dinheiro fará ao Botafogo, um time que compartilha muitas das simbologias entre as muitas que há no futebol, mas que vive algumas de maneira singular, especialmente a das vitórias merecidas, mas nunca alcançadas, como um sinal inequívoco de nobreza. A mesma nobreza singular de seu escudo, considerado o mais bonito do mundo.

Pode um contrato milionário desfigurar a cultura e o imaginário de um time? Seguida a Lei 14.193, não. Aos controladores da sociedade anônima formada a partir de um clube já existente, a Lei da SAF impõe a guarda e preservação de suas tradições. E como um clube de futebol não existe sem o caráter que o guia emocionalmente, fundado numa história de feitos gloriosos — e por que não dizer, ressentimentos —, é mais recomendável que o capital opte pelo mais óbvio: “ganhar dinheiro com poesia”, nas próprias palavras de Vinicius de Moraes.

Fonte: Agência Senado

Reportagem: Nelson Oliveira
Pauta, coordenação e edição: Nelson Oliveira
Coordenação e edição de multimídia: Bernardo Ururahy e Pillar Pedreira
Edição e tratamento de fotos: Ana Volpe
Infografia: Cláudio Portella
Foto de capa: Vitor Silva/Botafogo

Fonte: Agência Senado

https://www12.senado.leg.br/noticias/infomaterias/2022/01/novo-modelo-de-clubes-de-futebol-saf-comeca-a-se-tornar-realidade



domingo, 15 de maio de 2022

Mário Bittencourt explica posição do Fluminense sobre a Libra e pede debate: 'Rico continua mais rico'

 Presidente afirma que bloco contrário à liga neste momento ainda tenta uma divisão mais justa das cotas da competição

Fonte: LANCE 13/05/2022

 O Fluminense é um dos clubes que ainda não assinou o documento para a criação de uma nova liga nacional organizada pelos próprios clubes, a chamada “Libra”. A principal divergência está na divisão das cotas de televisão. Atualmente, o bloco que apoia o modelo sugerido é formado pelos cinco paulistas que disputam a elite do Campeonato Brasileiro, Flamengo, Vasco, Botafogo, Cruzeiro e Ponte Preta. Ao SPORTV o presidente Mário Bittencourt explicou o lado do Flu.

 - O grupo (Libra) fez um modelo e constituição de uma liga por uma empresa contratada por eles. Essa mesma empresa, a Codajas, trouxe possibilidade de trazer um investidor ao Brasil. Todos, inclusive o Fluminense, assinaram a carta para trazer o investidor. Não se falava em divisão de cotas, nada, só em trazer um investidor estrangeiro. A carta de exclusividade expirou no fim do ano, o investidor não chegou. Depois, os clubes falaram sobre a possibilidade de seguir. Nada contra a empresa. Agora, em 2022, as discussões aceleraram sobre a questão da montagem da liga - disse.

- Esse grupo entendeu ter a assessoria da empresa para montar um projeto de liga. O anexo coloca esse grupo maior em quantidade de clubes (do qual o Fluminense faz parte) que discorda. É uma discussão técnica. Um grupo quer que seja mais justo de divisão, que critérios devem ser diferentes. Gostaríamos de discutir esses critérios antes de criar liga. Eles entenderam diferente, assinaram um documento. Mas não existe liga assim, com nove. Tem que ter os 40. Esse grupo de cá está trabalhando tecnicamente para montar uma proposta que considera mais justa - completou.

 Estão envolvidos na discussão os 40 clubes (de Série A e B). Haverá uma reunião na próxima segunda-feira no Rio de Janeiro entre os presidentes das equipes que integram o grupo Forte Futebol O Flu é um dos líderes desse grupo, além de Athletico-PR e Fortaleza.

- O que a gente tem visto é o seguinte: com a proposta deles, o rico continua mais rico. Eles fazem uma proposta que já existe hoje (40% (igualitário), 30% (performance), 30% (engajamento)). Não falam no aporte do investidor na Liga. Isso terá de ser discutido depois se vier o investidor. Ainda não há o investidor. Lá na frente, não sabemos quanto o investidor trará. O que está em discussão agora, é que apresentaram um modelo de divisões de receita de TV futuro que já existe hoje e já criou um abismo financeiro gigante entre os clubes.

Em seu estatuto, a Liga definiu a divisão de 40% da receita igualmente entre todos os participantes da competição, 30% de variável por performance e 30% por engajamento. Esse último item é definido por critérios como média de público no estádio, base de assinantes de pay-per-view, número de seguidores e engajamento em redes sociais, audiência na televisão aberta e tamanho da torcida.

- O que eles colocam como engajamento, nós discutimos algumas coisas. O critério de divisão igualitária, acreditamos que seja 50% o mais justo. Hoje já é 40%-30%-30%. No anexo deles, o que colocam como engajamento, nós discutimos algumas coisas. Falam em redes sociais. As próprias pesquisas de torcida. Às vezes tem torcidas que têm seis, sete vezes o tamanho da do Fluminense em tamanho, mas que não vendem isso a mais de camisas e não colocam isso a mais em estádios - afirmou o presidente.

- Só queremos que nossa proposta também seja ouvida. Estamos discutindo tecnicamente para que haja discussão. Os clubes têm de debater. Esse 30% tem cinco critérios de engajamento que eles pré-definiram e nós (os outros clubes) discordamos de pelo menos dois. Discutimos que seja 50% igualitário e que sentemos à mesa para discutir a questão do engajamento. E se fala em seguir o modelo de futebol europeu. Por que não permitir igual ao modelo europeu que o clube que mais ganha não receba mais que 3,5 vezes a mais que o último? Vamos estudar uma divisão com proposta mais sólida para ser discutida - finalizou. 

https://www.lance.com.br/fluminense/mario-bittencourt-explica-posicao-do-fluminense-sobre-a-libra-rico-continua-mais-rico.html

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O QUE É A LIBRA?

Libra, a liga brasileira: o que o torcedor precisa saber sobre a entidade que está sendo criada

Clubes dão o pontapé inicial para tentar organizar os campeonatos no Brasil, mas acerto passa pela distribuição das cotas das transmissões dos jogos; nem todos concordam em ganhar menos dinheiro

Fonte: UOL Por Robson Morelli 05/05/2022

A primeira informação é que a Liga ainda não existe, mas ela tem o aval da Confederação Brasileira de Futebol para ser organizada pelos clubes do País. Portanto, o primeiro passo está dado. A CBF, que detém essa responsabilidade de gerir os torneios nacionais, não vai oferecer qualquer resistência. A Libra (Liga Brasileira) está em marcha.

O bloco formado por Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Red Bull Bragantino, Santos e São Paulo foi o primeiro a assinar um documento de intenção com a proposta da Codajas Sports KapitalCruzeiro e Ponte Preta, ambos atualmente na segunda divisão, também assinaram. Há uma parte jurídica que vai precisar ser tocada com muito cuidado para não deixar brechas, sinônimo de problemas no futebol. O maior desafio é deixar todos os times satisfeitos com a divisão dos recursos, das cotas de TV. Os clubes menores querem ganhar mais.

 A CBF permite a organização dos clubes para uma Liga?

Sim. Foi uma troca "apalavrada" pela eleição do presidente Ednaldo Rodrigues para o cargo que era ocupado por Rogério Caboclo, banido por assédio sexual e moral dentro da entidade. Houve um acordo, uma troca de favores entre as partes. Os clubes não iriam se opor à eleição de Rodrigues e a CBF entregaria aos clubes o direito de formalizar a Liga.

O que faria a Liga?

Ela teria presidente e dirigentes. Ela seria responsável pelas discussões comerciais do futebol, principalmente no que diz respeito às cotas de transmissão dos jogos da Série A e B, mas também de todas as outras divisões. Seria voltada para a parte comercial, basicamente, não de cada clube, mas dos torneios. O Brasileirão, por exemplo, é vendido para outros países.

Ela negociaria somente com a TV?

Em princípio, não. Ficaria responsável por todas as negociações de transmissão dos jogos, de TV aberta e fechada, passando por streamings também. Ela comandaria todas as discussões das disputas, mas sempre com a pegada financeira. E também sobre a venda dos torneios para o exterior.

O futebol brasileiro já teve alguma coisa parecida com uma Liga?

Teve o Clube dos 13, que tinha exatamente essa responsabilidade de negociar os direitos de televisão. Na época, só havia direitos de TV. A entidade implodiu em 2011, porque times como Corinthians e Flamengo entendiam que deveriam ganhar mais dinheiro das cotas porque eram mais vistos na programação das emissoras. Davam mais audiência.

Qual vai ser o principal desafio da Liga?

Équacionar a divisão do bolo financeiro, de modo a deixar todos contentes. A discussão passa pelo problema de os clubes de menor exposição receberem menos dinheiro, o que eles já avisaram que não concordam. Não se sabe ainda se todos terão cotas iguais, é muito provável que não tenham. Clubes como Flamengo, Corinthians, Palmeiras, entre outros, devem ter parcelas maiores. A Liga terá de descobrir um caminho para deixar todos do mesmo lado. E satisfeitos.

  Todos os clubes acreditam que a Liga dará certo?

 Ainda é cedo para afirmar isso. O time de menor tradição não vai aceitar ganhar muito menos do que os mais tradicionais. Esse é um problema. Atualmente, todos pensam somente em suas receitas e não olham para a Liga como ferramenta para melhorar o futebol brasileiro. Até agora, oito times assinaram o documento da criação da entidade: Corinthians, Red Bull Bragantino, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo, Ponte Preta e Cruzeiro. Um segundo bloco de clubes pediu mais prazo para estudar a proposta. São eles: América-MG, Atlético-GO, Athletico-PR, Avaí, Ceará, Coritiba, Cuiabá, Fortaleza, Goiás e Juventude.



Quem organizaria tudo isso?

Há dois interessados. A La Liga, que organiza o Campeonato Espanhol, e vê com bons olhos a possibilidade de arrecadar R$ 25 bilhões por ano para os clubes. A outra interessada é a LiveMode/1190, uma empresa que distribui os jogos do Brasileiro no exterior.

Se a Liga sair do papel, o que vai fazer a CBF?

Ela vai cuidar somente da seleção brasileira. O time masculino, feminino e das categorias de base. Não se sabe ainda se a arbitragem dos torneios também passaria para a Liga. Mas é muito provável que isso aconteça.

https://www.terra.com.br/esportes/futebol/libra-a-liga-brasileira-o-que-o-torcedor-precisa-saber-sobre-a-entidade-que-esta-sendo-criada,d648ddfcec24616442089c1286c1af68iyocdbn2.html

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Carta-proposta para formação da Liga de Clubes brasileiros

Reunião para formalizar compromisso em busca de uma composição equilibrada ocorrerá em 16 de maio

Fonte: site oficial do Fluminense FC 

Diante dos últimos acontecimentos, os Clubes signatários reafirmam o interesse na formalização da Liga de futebol profissional, com o intuito de elevar o nível de qualidade do futebol brasileiro, construindo um campeonato forte, revitalizado e, notadamente, com um padrão de equanimidade nas condições de disputa.

É preciso, porém, pontuar que não haverá Liga sem a união dos 40 (quarenta) clubes participantes das atuais Séries A e B.

Algumas premissas devem ser observadas, tendo como referência que: (i) a Premier League divide igualmente 68% da receita, somando todos os direitos domésticos, internacionais e de marketing; (ii) as Ligas Alemã, Espanhola, Francesa e Italiana distribuem 50% da receita de forma igualitária; e (iii) a diferença de receita entre o primeiro e último clubes respeitam os seguintes limites: Inglaterra (1.6x), Itália (2.1x), Alemanha (3.2x) e Espanha (3.5x).

Para a formalização da Liga de Clubes de futebol brasileiro, os Signatários acreditam no modelo abaixo apresentado:

(i) Divisão de receita de 50% igualitário, 25% performance e 25% comercial, com parâmetros objetivos e mensuráveis;

(ii) Diferença de receita entre maior e menor clube tendo como alvo o limite de 1.6 ao longo do tempo (referência Premier League), com o teto de 3.5 a partir do primeiro ano;

(iii) Compromisso de que a Série B receba 20% dos recursos de venda de direitos de transmissão.

Os Signatários envidarão todos os esforços possíveis para reunir os 40 (quarenta) clubes e formatar a Liga, sempre na base do diálogo e da razoabilidade, firmando também o compromisso de que, caso não haja a efetiva formalização, irão avaliar, em conjunto, a negociação dos direitos de transmissão e demais propriedades inerentes ao futebol e suas respectivas competições para os anos posteriores a 2024.

Os Clubes informam, ainda, que no dia 16 de maio de 2022 se reunirão presencialmente no Rio de Janeiro para formalizar o compromisso em busca de uma composição equilibrada, e que, por tal razão, não se farão presentes na reunião previamente agendada na CBF, no dia 12 de maio de 2022.

O encontro com os 8 (oito) clubes, no que depender da vontade dos Signatários, acontecerá futuramente para que seja apresentada e debatida a proposta descrita nesta carta, na tentativa de alcançar o consenso.

América Futebol Clube
Associação Chapecoense de Futebol
Atlético Clube Goianiense
Avaí Futebol Clube
Brusque Futebol Clube
Ceará Sporting Club
Centro Sportivo Alagoano - CSA
Club Athletico Paranaense
Clube de Regatas Brasil - CRB
Clube Náutico Capibaribe
Coritiba Foot Ball Club
Criciúma Esporte Clube
Cuiabá Esporte Clube
Esporte Clube Juventude
Fluminense Football Club
Fortaleza Esporte Clube
Goiás Esporte Clube
Londrina Esporte Clube
Operário Ferroviário Esporte Clube
Sampaio Corrêa Futebol Clube
Sport Club do Recife
Tombense Futebol Clube
Vila Nova Futebol Clube

https://www.fluminense.com.br/noticia/carta-proposta-para-formacao-da-liga-de-clubes-brasileiros

domingo, 3 de abril de 2022

Fluminense campeão estadual pela 32ª vez em sua história

 O Fluminense conquistou o campeonato carioca pela 32ª vez em sua história. Foram 15 jogos, com 11 vitórias, 2 empates e 2 derrotas. Foram 21 marcados contra 5 sofridos tendo sido campeão da Taça Guanabara. O artilheiro do Fluminense foi German Cano 



A CAMPANHA DO TÍTULO CARIOCA DO FLUMINENSE

Primeira Fase - Taça Guanabara 

27/01-Fluminense 0x1 Bangu         Luso Brasileiro 

30/01-Madureirta 0x1 Fluminense   Raulino de Oliveira

03/02-Fluminense 1x0 Audax             Luso Brasileiro 

06/02-Flamengo 0x1 Fluminense      Raulino de Oliveira 

10/02-Botafogo 1x2 Fluminense       Engenhão  

13/02-Portuguesa 0x1 Fluminense    Luso Brasileiro

16/02-Nova Iguaçú 0x1 Fluminense   Luso Brasileiro   

19/02-Fluminense 3x0 Volta Redonda   Luso Brasileiro

26/02-Fluminense 2x0 Vasco            Engenhão   

05/03-Resende 0x4 Fluminense      Raulino de Oliveira  

12/03-Boavista 0x0 Fluminense     Elcyr Resende  

SEMIFINAIS DO ESTADUAL

21/03-Botafogo 0x1 Fluminense      Engenhão  

27/03-Fluminense 1x2 Botafogo      Maracanã  

FINAIS

30/03-Flamengo 0x2 Fluminense        Maracanã 

02/04-Fluminense 1x1 Flamengo       Maracanã 


A CAMPANHA NAS FINAIS 

Jogo de ída Flamengo 0x2 Fluminense 30/03/2022 Fonte UOL 

Nesta quarta (30), o Fluminense bateu o Flamengo por 2 a 0, com dois gols de German Cano. A partida, disputada no Maracanã, deixa o tricolor em vantagem para o segundo confronto da final do Campeonato Carioca, que acontece no próximo sábado (2). Agora, o Fluminense tem vantagem na partida de volta. A equipe treinada por Abel Braga pode até perder por um gol que será campeã carioca. Em caso de vitória do Fla por dois gols de diferença, a decisão irá para os pênaltis.O meia entrou no segundo tempo e conseguiu dar mais movimentação ofensiva ao Fluminense, sendo importante no lance do gol ao roubar a bola e servir Cano. O argentino aproveitou as duas chances e colocou o Flu em vantagem.Escolhido por Paulo Sousa para ocupar a ala direita, Matheuzinho não foi bem. Não faltou empenho e dedicação do camisa 34, mas ele tomou decisões erradas na hora da conclusão das jogadas e comprometeu alguns ataques promissores.É bem verdade que as chances mais claras do jogo foram do Flamengo, mas o time não apresentou bom futebol e tampouco boa organização no clássico. A equipe jogou de forma espaçada e sofreu para criar. Mais uma vez, o time de Paulo Sousa viveu de lampejos individuais e não cumpriu uma boa atuação.Mesmo com o retorno de Felipe Melo, o técnico Abel Braga promoveu uma mudança no esquema no time inicial. Antes no 3-4-3, o Fluminense entrou em campo no 4-4-2, com o camisa 52 um pouco mais à frente em relação à forma que vinha jogando. Neste formato, a equipe passou a ter um meia mais de criação, com Ganso. O ataque foi formado pela dupla Willian Bigode e Cano. O Tricolor, porém, demorou a encaixar e deu espaços ao time adversário, além de não ter sido tão ter conseguido criar muitas chances. Ainda no primeiro tempo, Felipe Melo voltou a atuar fechando a linha defensiva, como vinha fazendo desde a chegada ao Fluminense. O que se manteve para a etapa final. Flu reclama Um lance polêmico também marcou o primeiro tempo do clássico, quando o placar ainda estava em branco. A arbitragem assinalou impedimento de Cano aos 45 minutos. Na sequência do lance, Willian balançou as redes, mas o jogo já estava parado. A marcação foi muito contestada pelos jogadores do Fluminense. Cano, no primeiro passe, parece estar na mesma linha do penúltimo defensor. A bola ainda parece ser desviada por Ganso antes da participação do atacante argentino. A arbitragem, porém, não deixou a jogada seguir, como é recomendada, consultando o VAR ao fim de tudo.As duas equipes ficaram na bronca no intervalo. O Flamengo reclamou do árbitro - que distribuiu cinco cartões amarelos para o rubro-negro. O presidente Rodolfo Landim foi ao túnel cobrar o juiz. Já o Fluminense reclamou um gol anulado. Arrascaeta melhora o time Após chegar apenas hoje depois de disputar as Eliminatórias, Arrascaeta começou no banco de reservas, mas precisou de pouco tempo para mostrar seu tamanho no time. O Fla, que até então sofria para achar espaços, subiu com o camisa 14, que adicionou criatividade e fez com que seus companheiros tivessem mais liberdade.Apesar de o Fla ter a bola, o Fluminense foi fatal no fim do jogo. O ataque tricolor aproveitou duas falhas da equipe carioca para marcar na partida. Primeiro, aos 37 minutos da etapa final. Léo Pereira perdeu a bola, Arias recuperou e tocou para Cano na área. O argentino ganhou de Filipe Luís e tocou na saída do goleiro. Dois minutos depois, Yago levou a melhor sobre Léo Pereira. Calegari, em seguida, serviu Cano, que só tocou para o gol.




FICHA TÉCNICA FLAMENGO 0 X 2 FLUMINENSE : Jogo de ida da final do Campeonato Carioca Local: Maracanã, no Rio de Janeiro (RJ) Data e horário: 30 de março de 2022, às 21h40 (de Brasília) Árbitro: Wagner Nascimento Magalhães Assistentes: Luiz Claudio Regazone e Thiago Rosa de Oliveira Espósito VAR: Carlos Eduardo Nunes Braga Cartões Amarelo: Marinho, Vitinho, João Gomes, Everton Ribeiro, David Luiz (FLA); Felipe Melo, Cris Silva, Ganso, Martinelli, Arias (FLU) Gols: Cano, aos 37 e 39 minutos do segundo tempo FLAMENGO: Hugo Souza; Matheuzinho (Lázaro), Fabrício Bruno (Léo Pereira), David Luiz, Filipe Luís; Willian Arão, João Gomes, Everton Ribeiro (Pedro); Marinho (Arrascaeta))Vitinho (Bruno Henrique), Gabi. Técnico: Paulo Sousa. FLUMINENSE: Fábio; Manoel, Felipe Melo (Luccas Claro), David Braz; Calegari (Nonato), André, Yago Felipe, Cris Silva, Ganso (Martinelli); Willian Bigode (Arias) e Germán Cano. Técnico: Abel Braga.

https://www.uol.com.br/esporte/futebol/ultimas-noticias/2022/03/30/flamengo-x-fluminense-final-carioca-2022.htm

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Jogo de volta Fluminense 1x1 Flamengo 02/04/2022  Fonte Terra 

Após um jejum de dez anos, o Fluminense é campeão carioca. O time do técnico Abel Braga empatou, neste sábado, no Maracanã, com o Flamengo, por 1 a 1, e ficou com o título por ter vencido o primeiro duelo por 2 a 0. Já a equipe rubro-negra falhou em sua tentativa de somar o primeiro tetracampeonato em sua história.

Com a necessidade de fazer gols por causa da derrota na primeira partida, o Flamengo buscou o ataque desde o começo, mas sofreu com a velocidade e o bom toque de bola do Fluminense. Logo aos oito minutos, Cristiano e David Braz levaram perigo à meta de Hugo.Apesar da vantagem obtida no primeiro duelo, o Fluminense entrou em campo com o objetivo de marcar o Flamengo forte em sua saída de bola. Com isso, o time rubro-negro ficou sem opções e passou a dar chutão em direção à área tricolor.

E foi desta forma que o Flamengo abriu o placar. Hugo mandou para o campo de ataque, Bruno Henrique ganhou de Nino e a bola sobrou para Arrascaeta. O uruguaio escapou pela esquerda e cruzou para Gabriel Barbosa abrir o placar.

O torcedor que esperava uma pressão ainda maior do Flamengo se surpreendeu com a atitude do Fluminense, que passou a tomar a iniciativa do jogo. Com boa distribuição de Paulo Henrique Ganso, o time das Laranjeiras obteve o empate, aos 43 minutos, com Cano.



O segundo tempo foi muito nervoso, com a maioria dos jogadores pressionando a arbitragem em qualquer lance. Foram poucos os momentos de perigo. Aos 14, Cano foi lançado dentro da área. O argentino dominou e tentou passar por Filipe Luis, que tocou na bola com a mão. O árbitro foi até o VAR e confirmou a penalidade. Cano bateu no meio do gol e Hugo defendeu.

Daí para frente o que se viu no gramado do Maracanã foi um Flamengo bastante nervoso, enquanto o Fluminense esbanjou raça e vontade, principalmente com o trio de zagueiros formado por Manoel, Nino e David Braz.

Nos minutos finais, Abel colocou o experiente Fred em campo. Já Paulo Sousa trocou Gustavo Henrique por Willian ArãoFred, que entrou com a intenção de arrumar confusão, conseguiu o que queria e acabou expulso com Bruno Henrique.

FICHA TÉCNICA

FLUMINENSE 1 X 1 FLAMENGO

FLUMINENSE - Fábio; Manoel, Nino e David Braz; Calegari (David Duarte), André, Yago Felipe (Nonato), Ganso (Martinelli) e Cristiano; Arias (Luiz Henrique) e Cano (Fred). Técnico: Abel Braga.

 FLAMENGO - Hugo Souza; Gustavo Henrique (Willian Arão), David Luiz e Filipe Luís; Rodinei (Matheuzinho), Gomes, Andreas Pereira (Everton Ribeiro), Arrascaeta e Lázaro (Pedro); Bruno Henrique e Gabriel. Técnico: Paulo Sousa.

GOLS - Gabriel Barbosa aos 28 e Cano aos 43 minutos do primeiro tempo.

ÁRBITRO - Bruno Arleu de Araújo.

CARTÕES AMARELOS - Gabriel Barbosa, David Braz, David Luiz, Cristiano, Gomes e André.

CARTÕES VERMELHOS - Fred e Bruno Henrique.

RENDA - 64.709 pagantes (67.754 presentes).

PÚBLICO - R$ 2.938.488,00.

LOCAL - Maracanã.

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A CAMPANHA NAS SEMIFINAIS

Jogo de ída Botafogo 0x1 Fluminense  21/03/2022 Fonte Terra 

Fluminense se aproximou da final do Campeonato Carioca nesta segunda-feira. Os tricolores venceram por 1 a 0 o Botafogo, no Nilton Santos, no confronto de ida da semi do Estadual.O Botafogo foi superior durante o primeiro tempo e boa parte da etapa final. Somente após as alterações, o Fluminense melhorou e chegou a vitória com gol de Arias.Agora, o Fluminense pode perder por um gol de diferença no próximo domingo, no Maracanã, que vai avançar para a decisão contra o Flamengo. Para o Botafogo, somente uma vitória por dois gols de diferença serve para a equipe seguir na competição.O jogo - O Botafogo começou melhor e quase abriu o placar aos três minutos, em chute de Chay. Os alvinegros aproveitavam os erros de passe do Fluminense para manter a postura ofensiva. Os tricolores tentavam avançar nos contra-ataques, mas não levavam perigo a Diego Loureiro.

O panorama da partida seguiu o mesmo até os minutos finais. O Botafogo teve a melhor chance da etapa inicial já nos acréscimos. Após bate e rebate, Luiz Fernando chutou e Marcos Felipe fez grande defesa para manter o empate no intervalo.

O Botafogo permaneceu melhor no segundo tempo. Tanto que aos três minutos, os donos da casa quase abriram o placar. Chay chutou, a bola desviou na zaga e ficou com Matheus Nascimento. O atacante chutou perto da trave tricolor.

O clássico caiu de rendimento e só voltou a ter chance de perigo aos 23 minutos. Erison aproveitou cruzamento e cabeceou para grande defesa de Marcos Felipe. O Fluminense conseguiu responder em seguida, em chute de André.

O lance animou os tricolores, que cresceram na partida. O Fluminense criou sua melhor chance aos 29 minutos, quando Nonato recebeu passe na área e chutou para boa defesa de Diego Loureiro. Depois, Matheus Martins finalizou, mas parou no goleiro alvinegro.

A pressão do Fluminense surtiu efeito aos 35 minutos. Após bora troca de passes, Arias recebeu a bola na área e chutou na saída de Diego Loureiro.

A partir dai, os tricolores passaram a administrar o resultado. O Botafogo não conseguiu ficar com a bola e viu o Fluminense sair na frente na semifinal do Carioca.

FICHA TÉCNICA: BOTAFOGO 0 x 1 FLUMINENSE Data: 21/03/2022, segunda-feira Horário: 20h (de Brasília) Local: Estádio Nilton Santos, no Rio de Janeiro (RJ) Árbitro: Grazianni Maciel Rocha (RJ) Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (RJ) e Thiago Rosa de Oliveira Esposito (RJ) VAR: Rodrigo Nunes de Sá (RJ) Gol: Arias, aos 35' do segundo tempo, para o Fluminense Cartões amarelos: Neto Moura, Kayque e Barreto (BOT); André (FLU). BOTAFOGO: Diego Loureiro; Daniel Borges, Kanu, Philipe Sampaio e Jonathan (Hugo); Barreto (Fabinho), Kayque (Breno), Chay, Luiz Fernando e Rikelmi (Vinicius Lopes); Matheus Nascimento (Erison). Técnico: Lucio Flávio FLUMINENSE: Marcos Felipe; Nino, Manoel e David Braz (Ganso); Calegari (Yago Felipe), André, Martinelli (Nonato) e Pineida (Cris Silva); William Bigode (Matheus Martins), Cano e Arias. Técnico: Abel Braga

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 Jogo de volta Fluminense 1x2 Botafogo 27/03/2022 Fonte Correios do Estado por Ketlen Gomes

No jogo de volta da segunda semifinal do Campeonato Carioca neste domingo (27), o Botafogo enfrentou o Fluminense no Maracanã e venceu a partida por 2x1. No entanto, o tricolor carioca avançou para a final contra o Flamengo, que será disputada em dois jogos, nessa quarta-feira (30) e no próximo sábado (2).

Por ter vencido a Taça Guanabara, o Fluminense jogava com a vantagem de ter dois resultados iguais, e saiu na frente no primeiro jogo no Nilton Santos, quando venceu por 1x0 a partida. No entanto, ao invés de consolidar sua vitória, o time não se impôs, e a estrela solitária garantiu a vitória por 2x0.

O Botafogo abriu o placar aos 47 minutos do primeiro tempo, com o gol de Erison. O atacante recebeu um passe rasteiro de Chay, passou por David Braz, deixou Luccas Claro caído e chutou rasteiro para o fundo do gol. Enquanto isso, a torcida tricolor xinga o treinador Abel Braga e o presidente do clube, Mário Bittencourt.Aos 28 minutos do segundo tempo, Erison marca novamente para a estrela solitária, no entanto, o gol foi anulado, pois o atacante estava impedido. O atleta também leva um cartão amarelo, por tirar a camisa em comemoração ao gol que não valeu. Entretanto, Erison continua, e aos 45 do segundo tempo, o atacante cabeceou para o segundo gol, que até então classificava o Botafogo.

O juiz, que já tinha dado cinco minutos de acréscimo, deu mais dois minutos, e Cano aproveitou a última bola do jogo para marcar o gol da classificação do Fluminense Em uma cobrança de falta de Nonato, Ganso finaliza no travessão e Cano aproveita a sobra, toca de peito e marca o gol.




Aos 55 minutos do segundo tempo, Fred faz falta em Hugo e recebe o segundo cartão amarelo, sendo expulso do jogo. O que seria a última oportunidade para o Botafogo, acabou em confusão. O árbitro apita o fim de jogo antes da cobrança de falta da equipe alvinegra e os jogadores da estrela solitária reclamam muito.

Na arquibancada, o novo técnico do Botafogo Luís Castro, acompanhou a partida ao lado de John Textor, o dono da SAF do clube.

FICHA TÉCNICA
FLUMINENSE 1 X 2 BOTAFOGO

Estádio: Maracanã
Data-Hora: 27/03/2022 – 16h
Árbitro: Paulo Renato Moreira da Silva Coelho (RJ)
Assistentes: Rodrigo Figueiredo Henrique Corrêa (Fifa/RJ) e Thiago Henrique Neto Corrêa Farinha (RJ)
VAR: Rodrigo Nunes de Sá (VAR-Fifa/RJ)
Renda e público: R$ 934.257,50 / 26.046 pagantes / 28.538 presentes
Cartões amarelos: André, Nonato, Fred, Cano, Yago Felipe e Fred (FLU); Luiz Fernando, Rikelmi, Vinícius Lopes, Erison e Kayque (BOT)
Cartões vermelhos: Fred 55’/2ºT (FLU)
Gols: Erison 47’/1ºT (0-1), Erison 46’/2ºT (0-2) e Cano 51’/2ºT (1-2)

FLUMINENSE: Marcos Felipe; Luccas Claro, Manoel (Nonato – Intervalo) e David Braz; Calegari, André, Martinelli (Yago Felipe 16’/2ºT) e Pineida (Cris Silva – Intervalo); Willian Bigode (Fred 45’/2ºT), Cano e Arias (Ganso – Intervalo) – Técnico: Abel Braga.

BOTAFOGO: Douglas Borges; Daniel Borges, Kanu, Philipe Sampaio e Jonathan Silva (Hugo 35’/2ºT); Barreto (Romildo 26’/1ºT), Kayque (Juninho 35’/2ºT) e Chay; Luiz Fernando (Gabriel Conceição 20’/2ºT), Erison e Rikelmi (Vinícius Lopes 20’/2ºT) – Técnico: Lucio Flavio.

 

https://www.correiodoestado.com.br/esportes/botafogo-vence-fluminense-mas-nao-avanca-para-a-final/398087

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Germán Cano, 29º argentino a vestir a camisa do Fluminense na História, decisivo na conquista do  título